A deliberação do júri no julgamento de Lindsay Clancy, a mulher norte-americana que matou os três filhos em 2023, chegou a um impasse após mais de 35 horas de discussão. No sexto dia de deliberações, a defesa pediu ao juiz que afastasse um dos jurados, alegando que este se recusava a seguir as instruções sobre o conceito de “dúvida razoável”. O pedido foi rejeitado e o júri retoma os trabalhos esta sexta-feira.

Clancy, de 36 anos, é acusada de três crimes de homicídio qualificado pela morte de Cora, de cinco anos, Dawson, de três, e Callan, de oito meses, encontrados estrangulados na cave da casa da família, em Duxbury, no estado de Massachusetts, a 24 de janeiro de 2023. A antiga enfermeira de obstetrícia não nega ter estrangulado os três filhos, mas a defesa sustenta que sofria de psicose pós-parto e que, naquele momento, não conseguia distinguir o certo do errado.

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O júri, composto por nove mulheres e três homens, já tinha informado o juiz William Sullivan de que não conseguia chegar a uma decisão unânime. Na quinta-feira, a presidente do júri enviou uma nova nota ao tribunal, dando conta de que um dos jurados não estaria a seguir as instruções sobre a “dúvida razoável”.

O advogado de Clancy, Kevin Reddington, pediu então que esse jurado fosse afastado. Após a audiência, explicou aos jornalistas que uma nota enviada ao juiz indicava que 11 dos 12 jurados já tinham chegado a uma decisão, enquanto um deles não estaria de acordo sobre o princípio da “dúvida razoável”. Reddington não esclareceu, contudo, qual era o veredicto defendido pelos 11 jurados nem qual a posição do restante elemento do júri.

A imprensa norte-americana também não revela qual das opções estará a ser apoiada por cada lado. O jornal espanhol El País, através do seu correspondente em Nova Iorque, refere que “11 jurados estão inclinados a chegar a um veredicto favorável a Clancy, enquanto um está a obstruir o processo”. Esta informação não permite, ainda assim, determinar qual das cinco possibilidades de decisão está em causa.

O juiz recusou retirar o jurado, argumentando que fazê-lo significaria tomar partido numa deliberação que deve permanecer independente. “Não considero apropriado que tome partido por um lado ou pelo outro das deliberações”, afirmou William Sullivan, citado pela ABC News.

Também a acusação se opôs à substituição do jurado. “Não há forma de determinar quem está certo, quem está errado, nem devemos tentar fazê-lo”, disse a procuradora Jennifer Sprague, defendendo que as instruções dadas pelo juiz eram adequadas.

O júri, que tem de ser unânime na decisão, tem cinco opções de veredicto: considerar Clancy culpada de homicídio em primeiro grau, culpada de homicídio em segundo grau, culpada de homicídio involuntário, inocente por falta de responsabilidade criminal ou simplesmente inocente.

O julgamento, que durou quase seis semanas, contou com o depoimento de 80 testemunhas e a apresentação de cerca de 300 provas. Se os jurados não conseguirem chegar a um consenso, o juiz poderá declarar o julgamento nulo. Nesse caso, caberá aos procuradores decidir se avançam para um novo julgamento.

Uma condenação por homicídio em primeiro grau pode resultar em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Se Clancy for considerada inocente por falta de responsabilidade criminal, poderá ser internada num hospital psiquiátrico.