Recentemente, pesquisadores passaram a investigar documentos e pergaminhos medievais, mas além dos textos neles contidos, os cientistas passaram investigar a pele na qual os escritos foram feitos. A equipe estudou manuscritos da Grã-Bretanha e da Europa continental, juntamente com restos mortais mais antigos de ovelhas da Idade do Bronze.

Dessa forma, foram registrados resquícios da varíola ovina que ficaram em ossos, dentes, nas peles usadas para pergaminhos. De acordo com os cientistas, com esses resquícios de DNA é possível remontar até 11.500 anos de história da varíola ovina. Dentre esses, com mais precisão os 3.700 de evolução do vírus da varíola ovina (SPPV).

Conhecida por ser altamente contagiosa, a doença frequentemente mata ovelhas mais jovens e reduz drasticamente a produção de lã, carne e leite. Por isso, muitas vezes o que sobrava de aproveitamento era a utilização da pele para venda e escrita. Desse modo, os 21 novos genomas encontrados pelo artigo publicado na revista Science Advances, puderam em sua maioria serem encontrados em pergaminhos medievais. 

Os pergaminhos medievais

Conforme o estudo, os vestígios foram encontrados nos mais diversos documentos. Uma das amostras veio dos Evangelhos de York, um importante manuscrito iluminado da Inglaterra antiga, com cerca de mil anos . Ao mesmo tempo, os pesquisadores também encontraram DNA viral em pergaminho associado ao Glossário Corpus do Corpus Christi College, em Cambridge, um dos primeiros dicionários de inglês.

Surpreendentemente, em alguns manuscritos os resquícios do SPPV foram encontradas em diversas páginas, reforçando a infectabilidade do vírus. Inclusive, foram encontrados resquícios do vírus em peles de outros animais, como bezerros e cabras, sinal de infecções raras durante o processamento.

De acordo com a Archaeology Magazine, a evidência mais antiga do vírus da varíola ovina (SPPV) no estudo data da Idade do Bronze, por volta de 1700 a.C. Contudo, os pesquisadores conseguiram estimar as principais linhagens que deram origem ao vírus da varíola ovina, ao vírus da varíola caprina e ao vírus da dermatite nodular contagiosa que se separaram entre cerca de 11.500 e 3.700 anos atrás.

Sobretudo, o surgimento dessas novas doenças coincide com a transformação na forma de criação dos ovelhas. A domesticação expandiu-se e as ovelhas migraram da estepe eurasiática para novas regiões, incluindo a Europa, ao passo que a história da doença caminha lado a lado com a criação das ovelhas.

*Sob supervisão de Éric Moreira


Augusto César

Historiador em formação que troca qualquer “sextou” por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: