Chove em Curitiba. Guarda-chuvas se abrem, pedestres aceleram o passo e reflexos tomam conta das calçadas. Enquanto muita gente procura um lugar para escapar da água, Daniel Castellano faz justamente o contrário: observa, enquadra e fotografa. Há 20 anos, o fotógrafo registra cenas da capital paranaense faça chuva ou faça sol, e agora planeja transformar esse acervo em um livro. O projeto “Atemporal” recebeu aprovação para captação de recursos e busca empresas interessadas em patrociná-lo.
A chuva virou inspiração para Daniel Castellano, que documenta o cotidiano de Curitiba desde seu primeiro dia como fotógrafo. Foto: Acervo Daniel Castellano
A história que desembocou no projeto começou em 22 de maio de 2006, justamente no primeiro dia de Daniel Castellano como repórter fotográfico profissional. Naquela ocasião, Curitiba entregou a ele um daqueles cenários que se tornariam parte de sua trajetória: frio de outono, chuva e gente circulando pelo Centro.
O que nasceu praticamente por acaso passou a acompanhar o fotógrafo durante as duas décadas seguintes.
Fotógrafo Daniel Castellano começou em um dia chuvoso no Centro de Curitiba
Naquele primeiro dia como repórter fotográfico, Castellano trabalhava na Gazeta do Povo, no Centro de Curitiba. Sem uma pauta específica para fotografar naquele momento, saiu pelas ruas atrás de cenas da cidade.
“Como trabalhava no Centro de Curitiba, fui fazer algumas fotos sem assunto específico, apenas cenas da cidade, andei pela Rua XV de Novembro, pelo calçadão da Monsenhor Celso e foi interessante em ver como as pessoas se comportavam naquele dia chuvoso, e a partir daí, a cada chuva, antes das minhas pautas, pelo caminho, ia fotografando as cenas do cotidiano”
conta Daniel Castellano.
O fotógrafo encontrou ali um fio condutor que continuaria seguindo pelos anos seguintes. A chuva deixou de ser apenas uma condição climática para se transformar em elemento visual.
Antes de outras pautas ou durante os deslocamentos pela cidade, Castellano continuou registrando o cotidiano molhado de Curitiba.
Assim, as fotografias começaram a atravessar diferentes cenários e momentos: parques, praças, bosques, manifestações políticas e até um Dia de Finados debaixo de chuva.
Daniel Castellano registra há 20 anos cenas de Curitiba sob a chuva e agora quer transformar o acervo em livro. Foto: Reprodução/Daniel Castellano
Chuva virou elo entre duas décadas através das fotos em Curitiba
É justamente essa continuidade que sustenta “Atemporal”. As imagens não nasceram originalmente como parte de uma produção feita exclusivamente para um livro. Castellano construiu o acervo ao acompanhar, ao longo dos anos, a relação entre a cidade, seus moradores e os dias chuvosos.
“Quando vi, já estava fotografando em um dia chuvoso de Finados, em manifestações políticas, em parques, praças e bosques, mostrando que a chuva pode ser um elemento de ligação e os dias chuvosos também podem render boas imagens”
comenta o fotógrafo.
Projeto “Atemporal” foi aprovado para captação via incentivo fiscal e busca patrocinadores para sair do papel. Foto: Acervo Daniel Castellano
O elemento permanece o mesmo, mas as situações mudam. A chuva atravessa diferentes espaços, acontecimentos e personagens e funciona como uma ligação visual entre momentos separados pelo tempo.
Ao completar duas décadas desde aquele primeiro dia de trabalho profissional, o fotógrafo decidiu levar essa história para o papel.
“Agora, em maio de 2026, depois de 20 anos documentando a cidade desta forma diferente, o projeto para confecção de um livro foi aprovado na lei de incentivo fiscal via Ministério da Cultura. Através do benefício fiscal, empresas podem patrocinar o projeto abrindo mão do imposto que vão pagar”
conta Daniel Castellano.
Projeto aprovado, vem outra missão: captar recursos para o livro
A aprovação por meio da legislação de incentivo à cultura não significa que o dinheiro necessário para produzir o livro já esteja disponível. Na prática, a autorização permite que o projeto busque recursos junto a patrocinadores, dentro das regras do mecanismo de incentivo fiscal.
Dessa maneira, empresas interessadas podem apoiar a iniciativa utilizando os benefícios tributários previstos na legislação aplicável. Portanto, Daniel Castellano agora precisa encontrar patrocinadores para viabilizar “Atemporal”.
Ruas, parques, manifestações e até o Dia de Finados aparecem no acervo construído por Castellano ao longo de duas décadas. Foto: Acervo Daniel Castellano
O mecanismo também permite oferecer contrapartidas institucionais aos patrocinadores, como associação da marca ao projeto e presença nos materiais de divulgação, conforme as condições aprovadas e as regras aplicáveis.
Os recursos captados ficam vinculados à execução do projeto cultural e precisam seguir o orçamento, as contrapartidas e as exigências de prestação de contas.
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