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A Volkswagen está a ponderar acabar com a marca SEAT até 2029, apostar tudo na Cupra, e reduzir até 100 mil postos de trabalho. Para já, o elétrico ID.EVERY1 parece colocar a Autoeuropa a salvo de grandes sobressaltos.

O ZAP deu há precisamente três anos a feliz notícia: afinal, a SEAT não vai desaparecer.

Aparentemente, foi falso alarme. A Volkswagen está a ponderar acabar gradualmente com a marca até 2029, segundo um documento interno obtido pelo jornal económico alemão WirtschaftsWoche.

“A marca SEAT será descontinuada de forma ordenada e com otimização de custos, o mais tardar até ao final de 2029, garantindo ao mesmo tempo o apoio aos clientes existentes, por exemplo, na assistência, e o cumprimento das obrigações já assumidas”, diz o documento.

Segundo a WirtschaftsWoche, o documento terá sido aprovado por toda a administração da Volkswagen, e a decisão é final. Além disso, a SEAT já não está incluída nos objetivos estratégicos do grupo para 2030, diz, alegadamente, o documento obtido pelo jornal alemão.

O Catalan News conta porém uma história (ligeiramente) diferente: segundo o jornal catalão, a SEAT garantiu à Agência Catalã de Notícias (ACN) que neste momento “não há nenhuma decisão” tomada no sentido de acabar com a marca.

A SEAT, com sede em Martorell, a 20 km de Barcelona, foi fundada em 1950 e está profundamente ligada ao desenvolvimento do setor automóvel da Catalunha.

A medida terá como objetivo reduzir custos entre as principais marcas da Volkswagen.

“Manter a SEAT na sua forma atual exigiria recursos adicionais, enquanto a estratégia de marcas do grupo está cada vez mais centrada na Cupra“, diz o documento.

O plano não põe em causa o futuro da Cupra, que se tornou uma marca independente em 2018.

Segundo o documento obtido pela WirtschaftsWoche, os produtos atuais da SEAT e as suas estruturas de vendas e produção seriam transferidos para a Cupra de uma forma “economicamente otimizada”, com uma produção anual prevista entre 500 e 600 mil veículos.

A fabricante automóvel anunciou em julho um plano de ajustamento que incluía reduzir a gama de modelos até 50%, simplificar as configurações disponíveis até 75% e cortar a capacidade de produção para nove milhões de veículos por ano.

A VW admitiu em julho a possibilidade de reduzir até 100.000 postos de trabalho, numa altura em que o grupo enfrenta custos crescentes, tensões geopolíticas e uma concorrência cada vez mais intensa, sobretudo por parte dos fabricantes chineses.

Em Portugal, a reestruturação não parece, para já, pôr em causa a Autoeuropa, em Palmela. No final de agosto, o grupo garantiu ao ECO que iria continuar a produzir na fábrica portuguesa, a partir de 2027, o novo elétrico ID.EVERY1, juntamente com o T-Roc.

Com cerca de 4.800 trabalhadores, a Autoeuropa produziu 240.400 automóveis em 2025. Atualmente fabrica o novo T-Roc e tem em curso um plano de investimento de cerca de 600 milhões de euros.

A decisão histórica de atribuir à unidade portuguesa a produção do ID.EVERY1 poderá ser assim uma garantia de investimento e de manutenção de postos de trabalho nos próximos anos.

Mas a posição da Volkswagen sobre Palmela é anterior à aprovação do novo plano de reestruturação. Falta saber se as medidas agora aprovadas alteram algum destes compromissos.