Sugestão para os streamings que buscam desesperadamente por novidades e disputam no tapa os caríssimos eventos esportivos ao vivo: transformar a próxima janela de transferências em uma série.
Com capítulos diários, é possível manter o entretenimento por mais de 50 episódios, recheados de dramas, fake news, comédias, fake news, suspenses e fake news.
Mesmo sendo um coadjuvante nesta última janela-novela, o Brasil teve seus momentos.
Quem não se divertiu com o capítulo “Flamengo oferece dinheirinhos por Almada”, seguido de “Flamengo leva chapéu do River, com menos dinheirinhos”; ou com o episódio “Botafogo precisa de dinheiro, mas o do Palmeiras não”; sem falar no capítulo “Time russo reprova exames de jogadores que atuam no Brasil”, feito para agradar os fãs de “The Pitt”.
E teve ainda a capciosa ficção financeira “Neymar paga (transfer ban) para Santos gastar”.
A principal notícia da janela —que atesta que o mundo está com sérios problemas— é a de que o argentino espancador de bolas e rivais, Enzo Fernández, que atuava no Chelsea, foi vendido por £ 125 milhões (libras) para o Manchester City. Isso faz do jovem o primeiro atleta da história das galáxias a ser protagonista de duas vendas de mais de € 100 milhões —a primeira foi do Benfica para o time azul de Londres, por € 120 milhões.
Porém, é outro argentino o responsável pelo melhor capítulo da série, justamente por não ter se movimentado para lugar nenhum: o pobre atacante Julián Álvarez, que era do Atlético de Madrid e continua preso ao Atlético de Madrid, vigiado de perto pelo compatriota-carcereiro-treinador Diego Simeone.
Só essa novela renderia umas três partes, com elementos que pendem mais para “Strangers Things” que para “Ted Lasso”.
A saga de Álvarez começou antes mesmo da Copa, quando manifestou seu desejo de ir para o Barcelona. Mas a turma de Madri foi esperta e convenceu o jogador de que iria deixá-lo sair apenas por € 150 milhões e depois que ele manifestasse publicamente que queria trocar de time (o que transformou o moço em vilão da novela). No entanto, não só não o venderam para o rival como criaram um clima quase insustentável para o argentino.
De repente, apareceu uma possível solução: o Arsenal (uhu), com o qual o Atlético topava negociar Álvarez. Mas o acordo não evoluiu a tempo e a janela foi se fechando, fechando e fechou. Certamente teremos novos capítulos na próxima temporada-janela, em janeiro. Até lá, a vida de Álvarez, com a camisa do Atlético e a torcida contra, deverá ser algo entre o purgatório e o inferno escaldante.
Pior, o jovem teve que ver o Barcelona gastar um pouco menos de € 150 milhões (€ 140 milhões a menos) no contrato de um outro atacante, o brasileiro Gabriel Jesus. Assim, em suas orações noturnas, Álvarez provavelmente deve pedir que Jesus se contenha nos gols no time catalão, o que não é nada difícil.
Não há um dia em que este humilde escriba não depare com um vídeo divertidíssimo gerado por IA com Álvarez invariavelmente na prisão, tentando escapar. Mas, quando chega perto dos portões do Camp Nou ou de algum amiguinho do Barcelona, aparece o homem de preto, Diego Simeone, para recapturá-lo. Memes e vídeos devem durar mais alguns meses.
Aconteceu: o Mônaco, do professor Filipe Luís, derrotou o PSG, do míster Luis Enrique, em plena Paris. É o líder do Francês, com 9 pontos em 3 jogos. Capaz de o Flamengo tentar contratá-lo.
Colunas
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