Algumas ferramentas online, como a “The True Size of“, permitem comparar diretamente os tamanhos reais de diferentes países: seria possível encaixar os Estados Unidos, a China e a Índia em África e ainda sobraria espaço.
“Esta discussão não é política, mas científica”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey, em declarações citadas pelo The Guardian. “Há provas científicas, por isso temos de aceitar a realidade”, afirmou ainda, acrescentando que “está na hora de nós, em África, assumirmos a responsabilidade de mudar o que podemos mudar”.
Ao longo das décadas, vários historiadores e geógrafos têm feito campanha em favor da substituição da projeção de Mercator por outras projeções, mais fiéis ao tamanho real de cada território. Alguns, diz o The Guardian, defendem mesmo que o uso da projeção de Mercator, que tende a aumentar o tamanho dos países europeus e dos EUA, é também uma forma de “colonialismo cartográfico”, já que favoreceu, com o tempo, a implantação da ideia de que o Ocidente ocupa um espaço no mundo maior do que aquele que na verdade ocupa, enquanto África ocupa menos espaço do que na realidade.
A proposta do Togo é que passe a ser usada a projeção desenvolvida pelo projeto “Equal Earth“, da autoria de uma equipa de cartógrafos de todo o mundo.
A resolução não é vinculativa, mas poderá motivar a alteração do mapa em manuais escolares, ferramentas digitais e outro tipo de materiais que usam a representação do mundo. A projeção do “Equal Earth” é considerada melhor do que outras alternativas que têm sido usadas, como a projeção de Gall-Peters ou a projeção de Robinson.
O recurso a um mapa mais fiel ao tamanho real dos vários territórios é visto pelos proponentes africanos do projeto como uma forma de transformar o modo como o continente africano é representado aos olhos do mundo.
“África, em tempos diminuída nos mapas, insiste agora em ser vista à sua escala real, geograficamente, historicamente, moralmente, culturalmente, economicamente, diplomaticamente e globalmente”, disse a comissária da União Africana para a saúde, assuntos humanitários e desenvolvimento social, num comunicado em março, depois de a União Africana ter adotado formalmente a projeção do Equal Earth.
No próximo ano deverá realizar-se na capital do Togo, Lomé, uma conferência com a Unesco, a União Africana e empresas tecnológicas como a Google, responsável pelo Google Maps, para debater a possibilidade de implementar esta nova representação do mapa do mundo.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Noël Barrot, já anunciou que França irá abandonar a projeção de Mercator, passando a usar um mapa mais fiel ao tamanho dos países.
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