“A morte tem sido minha maior professora. Muito do que vivo tem a ver com respeitar mudanças de ciclos, a finitude. Parte desses fins a gente escolhe, como é o caso do Sepultura. Mas tem os que você não escolheu, como o caso do câncer da Patrícia. A morte é um elefante na sala, que ninguém fala nesse país. Não há conversas sobre eutanásia, suicídio assistido, testamento vital, cuidado paliativo. Acho que através da morte, como é o nome da turnê do Sepultura (Celebrating life through death: do inglês celebrando a vida através da morte), você encontra a vida. Patrícia tinha muito disso. Ela falava de morte de uma maneira muito leve. Ela brincava: ‘Pô, quando eu morrer, não vai esquecer de colocar meu travesseiro, cobertor, a meia no meu pé e o meu pijama, que eu não quero passar frio, quero ficar confortável’. Na hora a gente ria, mas quando ela morreu, todo mundo sabia o que ela queria. Foi a coisa mais linda do mundo, deu uma paz para todos que estavam ali.”