Respirar devagar, com uma expiração mais longa que a inspiração, pode torná-lo mais propenso a assumir riscos financeiros. É o que mostra um estudo alemão publicado na revista Neuron, que usou ressonância magnética e monitores cardíacos para investigar como a respiração controlada afeta o cérebro e as decisões.
Os pesquisadores descobriram que a expiração prolongada aumenta a atividade do sistema nervoso parassimpático (“repouso e digestão”) e, com isso, amplifica a sensibilidade do cérebro a recompensas, levando a mais aceitação de apostas arriscadas.
Como o estudo foi realizado
Os cientistas da Universidade Livre de Berlim pediram que 41 adultos saudáveis — dos quais, 24 eram mulheres e sem histórico de doenças psiquiátricas e neurológicas — realizassem uma tarefa de decisão arriscada em duas condições respiratórias.
Uma delas, a eupneia, é a respiração normal, enquanto no outro dia, eles tiveram que tomar a decisão durante uma expiração prolongada, ou seja, inspirar por dois segundos e expirar por oito, quatro vezes mais tempo.
Durante a tarefa, a equipe de pesquisa mediu diversos aspectos das respostas físicas e neurológicas dos participantes.
Uma ressonância magnética foi usada para monitorar a atividade cerebral, enquanto os padrões respiratórios, a atividade cardíaca, a condutância da pele e as respostas pupilares foram acompanhadas simultaneamente.
Descobertas
Após a análise dos dados coletados, os pesquisadores descobriram que a expiração prolongada aumentou a disposição a correr riscos – os participantes aceitaram mais apostas. Esse efeito foi impulsionado por uma maior sensibilidade às recompensas (ganhos), sem alterar a sensibilidade às perdas.
Isso aconteceu porque, fisicamente, a expiração ativou o nervo parassimpático. Ao mesmo tempo, quem teve maior ativação dessa área também mostrou maior atividade em áreas ligadas à avaliação de recompensas.
O que isso significa? De acordo com os pesquisadores, sua respiração pode estar influenciando suas decisões financeiras e de risco sem que você perceba. Respirar de forma mais lenta e com expiração longa parece “calibrar” o cérebro para dar mais peso aos ganhos potenciais, tornando você mais propenso a aceitar riscos.
“Técnicas de respiração acompanham a humanidade há milênios em diversas religiões e culturas. Com este estudo, fornecemos provas científicas de que se trata de um método confiável e preciso, capaz de controlar nossas decisões”, explica Soyoung Q Park, chefe do Departamento de Neurociência da Decisão e Nutrição da universidade.
Para os pesquisadores, a respiração controlada pode ser uma ferramenta valiosa na auto-regulação diária, além de se mostrar como uma abordagem de suporte não farmacológico em contextos clínicos, particularmente para condições como transtornos de ansiedade ou depressão.