- Esteatose hepática é o acúmulo de gordura no fígado, com causas ligadas à obesidade e diabetes.
Os estágios iniciais da doença são frequentemente assintomáticos, podendo levar a quadros graves como câncer.
Alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas e trans, farinhas refinadas e açúcares adicionados devem ser evitados.
O consumo de álcool e bebidas açucaradas também é contraindicado.
O tratamento envolve mudanças no estilo de vida, alimentação saudável e, em alguns casos, medicação.
O diagnóstico precoce, por meio de exames, é crucial para o sucesso do tratamento e para evitar complicações.
Responsável por funções vitais essenciais, como a metabolização de nutrientes, o fígado é um dos órgãos mais afetados por doenças. Uma delas pode ser por excesso de gordura.
Nos últimos anos, houve um aumento de registros da doença hepática gordurosa, causada pelo acúmulo no órgão. Também chamada de esteatose hepática, tem causa diretamente ligada ao crescimento da obesidade e diabetes, por exemplo, no mundo.
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Os estágios iniciais da doença passam, muitas vezes, despercebidos por serem fases em que é comum de sintomas não serem sentidos. Por isso, o quadro pode acabar evoluindo, podendo chegar a um câncer de fígado, por exemplo.
Assim, um dos cuidados a serem tomados pode ser pela alimentação. Considerando esse aumento, confira alimentos a serem evitados no caso de excesso de gordura no fígado.
Gordura no fígado: 10 alimentos a serem evitados
Como o cuidado com o que faz parte da dieta é importante para tratar doenças, especialistas indicam alimentos que devem ser evitados ao máximo em casos de excesso de gordura no fígado.
Veja recomendações da nutricionista Michelle Ricarte, em entrevista ao O POVO:
- Refrigerantes e bebidas açucaradas: fornecem grande quantidade de açúcar, especialmente frutose, com pouca saciedade;
- Sucos industrializados e néctares: mesmo quando parecem opções “naturais”, podem conter grande quantidade de açúcar e apresentar baixa quantidade de fibras;
- Doces, chocolates e sobremesas com excesso de açúcar: quando consumidos frequentemente, contribuem para o excesso energético;
- Biscoitos recheados e outros biscoitos ultraprocessados: geralmente combinam açúcar, farinha refinada e gorduras em alta densidade calórica;
- Produtos de panificação ultraprocessados, como bolos, croissants e produtos recheados: podem concentrar açúcar, gordura e calorias;
- Frituras frequentes: especialmente quando fazem parte habitual da alimentação e contribuem para o excesso calórico;
- Carnes processadas, como linguiça, salsicha, salame e mortadela: devem ter seu consumo reduzido dentro de uma alimentação voltada à saúde metabólica;
- Fast-food e refeições ultraprocessadas: frequentemente apresentam alta densidade energética e excesso de gorduras, sódio e carboidratos refinados;
- Pães, massas e outros produtos feitos predominantemente com farinhas refinadas, principalmente quando consumidos em excesso e associados a outros alimentos de alta densidade energética;
- Bebidas alcoólicas: o álcool merece atenção especial porque o fígado é o principal órgão responsável pelo seu metabolismo, e seu consumo pode favorecer ou agravar o acúmulo de gordura e a inflamação hepática.
Apesar das recomendações do que evitar, a profissional ressalta que comer, eventualmente, um desses alimentos não significa que a pessoa desenvolverá esteatose. “O problema está principalmente na frequência, quantidade e no padrão alimentar como um todo”, completou.
Excesso de gordura no fígado: entenda como acontece
Ter gordura no fígado é normal. Apenas chega a ser um problema quando as células do órgão são infiltradas por outras de gordura.
Quando o índice chega a 5% ou mais, o paciente deve procurar tratamento com urgência. Se a procura por um médico não é feita, o quadro pode ser agravado, com a inflamação passando a ser uma cirrose hepática ou câncer.
As causas para o excesso de gordura no fígado podem ser encaixadas em duas categorias: alcóolicas (por consumo excessivo de álcool) ou não alcóolicas. Esta é provocada pelo estilo de vida inadequado da pessoa.
Causas comuns de Esteatose Hepática Não Alcóolica
- Sobrepeso;
- Obesidade;
- Gravidez;
- Sedentarismo;
- Diabetes;
- Má alimentação;
- Colesterol alto;
- Pressão alta;
- Perda ou ganho muito rápida de peso;
- Uso de medicamentos (corticoides, estrógeno, amiodarona, antirretrovirais, diltiazen e tamoxifeno);
- Inflamações crônicas no fígado.
Destes, o mais comum é por sobrepeso, sendo 60% dos casos, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, há o fator de grupo de risco, como mulheres.
O corpo feminino é propício para o desenvolvimento desse acúmulo pela presença do hormônio estrógeno por influenciar diretamente no funcionamento do metabolismo corporal.
Pessoas com descendência oriental ou hispânica também se encaixam no grupo de risco devido à fatores genéticos. Condições como Síndrome do Ovário Policístico (SOP); Hipotireoidismo; síndrome metabólica; apneia do sono e acúmulo de gordura abdominal também se encaixam.
Leia mais Excesso de gordura no fígado: saiba sintomas
Os sintomas iniciais raramente são sentidos por aqueles atingidos pelo excesso de gordura no fígado. A partir do estágio intermediário da doença que podem começar a serem sentidos; saiba quais são:
- Dor no abdômen;
- Cansaço;
- Fraqueza;
- Perda de apetite;
- Aumento do fígado;
- Barriga inchada;
- Dor de cabeça constante.
Em casos mais avançados, os sintomas são ainda mais evidentes. Além da inflamação e fibrose, que causam insuficiência hepática, também são relatados:
- Acúmulo anormal de líquido dentro do abdômen;
- Doenças no encéfalo;
- Confusão mental;
- Fadiga;
- Hemorragias;
- Queda no número de plaquetas sanguíneas;
- Icterícia (pele e olhos amarelados);
- Fezes sem cor;
- Alterações do sono;
- Mudanças na coagulação;
- Inchaço dos membros inferiores;
- Aumento rápido do volume abdominal.
Leia mais Como é feito o tratamento de excesso de gordura no fígado?
O tratamento para excesso de gordura no fígado não é específico para todos. As recomendações dependem do estágio e causa da doença.
Geralmente, a recomendação de medicamentos é rara. No entanto, quando prescritos, os mais comuns são vitamina E, drogas para tratamento de diabetes, orlistat (xenical) e, em alguns casos, ômega 3.
Para um tratamento bem sucedido, a adoção de um estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e saudável e a prática regular de exercícios físicos são de suma importância.
Vale ressaltar que quanto antes for identificado o excesso de gordura no fígado – por ultrassom, tomografia, ressonância magnética ou elastografia transitória (método mais recomendado) – melhor para uma regressão mais rápida da doença.
O diagnóstico é feito por médicos clínicos gerais, gastroenterologistas ou hepatologistas. Pelos exames realizados, as alterações são classificadas em três graus:
- Grau 1 ou leve: pequeno acúmulo de gordura;
- Grau 2: acúmulo moderado de gordura;
- Grau 3: grande acúmulo de gordura.
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Quando o quadro é praticamente irreversível, a única solução acaba sendo a realização de transplante de fígado. Se não tratado, a doença pode levar o diagnosticado à morte.
Gordura no fígado: saiba alimentos que ajudam durante tratamento
O cuidado com a alimentação é uma das principais prevenções contra o acúmulo excessivo de gordura no fígado.
Segundo Michelle Ricarte, a dieta é usada como uma das ferramentas para controlar a doença. A nutricionista explica que a estratégia usada semelhante à mediterrânea, com maior presença de alimentos in natura ou minimamente processados; veja exemplos:
- Verduras e legumes variados;
- Frutas inteiras, preferencialmente distribuídas ao longo do dia;
- Feijões, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas;
- Aveia e outros cereais integrais;
- Castanhas e outras oleaginosas em porções adequadas;
- Sementes;
- Azeite de oliva;
- Peixes, ovos e carnes magras;
- Iogurte natural e outros alimentos adequados à tolerância individual.
No entanto, a profissional diz que não há um alimento que “limpa o fígado”. “Não existe chá, suco, suplemento ou alimento milagroso capaz de eliminar a gordura hepática sozinho”, explicou.
Evitar bebidas alcóolicas, manter boa hidratação e praticar atividade física também são essenciais para o tratamento. As recomendações são válidas para a manutenção de uma vida saudável e cuidados durante outras doenças também.
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