Mudanças no hábito intestinal, dores abdominais ou perda de peso repentina em crianças podem ser sinais de algo além de um simples mal-estar passageiro. Recentemente, a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UK Health Security Agency) registrou um aumento de 11,4% nos casos de giardíase em 2025, atingindo o patamar mais alto desde 2016.

Маска и микробы

Photo: Анна Маляева by Анна Маляева is licensed under Рubliс domain

Маска и микробы

Embora a melhora nos testes de PCR facilite a detecção de parasitas que antes passavam despercebidos, o crescimento dos números alerta para a persistência dessa infecção intestinal causada por organismos unicelulares.

Como funciona a infecção

A giardíase é difícil de combater porque o parasita altera sua forma para sobreviver. Dentro do corpo, ele está ativo; porém, ao sair para o ambiente, transforma-se em cistos — cápsulas com cascas protetoras. Nessas estruturas, o parasita resiste por longos períodos em maçanetas, telas de smartphones, vegetais e na água, aguardando um novo hospedeiro.

Um fator complicador é a existência de portadores assintomáticos: pessoas que não sentem nada, mas transmitem os cistos para outros.

Grupos de risco e impactos

Em adultos saudáveis, a infecção pode ser imperceptível ou causar apenas um leve desarranjo intestinal. O cenário muda para idosos, imunocomprometidos e crianças pequenas.

No caso das crianças, o problema vai além da diarreia ou do inchaço abdominal. Os parasitas prejudicam a absorção de nutrientes no intestino. Isso pode impedir o ganho de peso adequado e tornar ineficaz a suplementação de vitaminas ou ferro, já que o organismo não consegue absorvê-los, podendo resultar em anemia e fraqueza generalizada.

Prevenção e higiene

A transmissão ocorre pela via fecal-oral. Para evitar a entrada do parasita em casa, a recomendação baseia-se em práticas rigorosas de higiene:


  • Lavar as mãos cuidadosamente após usar o banheiro e chegar da rua.

  • Consumir apenas água potável ou fervida.

  • Lavar bem frutas e hortaliças.

  • Evitar que crianças engulam água em piscinas ou lagos.

Vale lembrar que animais de estimação também podem atuar como portadores de cistos.

Sinais de alerta

A busca por auxílio médico e a realização de exames específicos são indicadas ao notar os seguintes sinais:


  • Fezes líquidas persistentes.

  • Dores abdominais ou desconforto na região do hipocôndrio direito (abaixo das costelas, à direita).

  • Perda de apetite e redução de peso brusca.

  • Sinais de desidratação.

É importante notar que indisposições infantis no início do período escolar nem sempre são gripes ou viroses. Em creches e escolas, onde o compartilhamento de brinquedos e objetos é constante, o risco de infecções parasitárias aumenta.

Author`s name Ksenia Semenova

Correspondente do Pravda.Ru, atuando na edição em português do site