Apesar das saudades dos EUA e das dificuldades iniciais de integração, Emily e Robert Toole encontraram na Suíça uma qualidade de vida que valorizam para os cinco filhos, sobretudo pela segurança, autonomia das crianças e proximidade da natureza
Todos os anos, no aniversário de casamento, Emily e Robert Toole sentam-se juntos e fazem uma pergunta muito importante um ao outro – devem continuar a viver na Suíça ou regressar aos Estados Unidos?
De cada vez, sem falhar, decidem ficar.
“Estamos felizes”, afirma Emily. “Estamos instalados. Temos uma ótima família… Até agora tem sido uma grande aventura.”
Emily e Robert, ambos originalmente do Connecticut, mudaram-se para o país famoso pelos seus relógios, queijos, chocolates e montanhas há mais de uma década.
Mas a imersão numa nova cultura traz consigo desafios, e a adaptação à vida na Suíça demorou algum tempo. Na verdade, o primeiro ano foi “horrível”, segundo Emily.
Hoje, sentem que o país oferece o melhor estilo de vida para os seus cinco filhos, todos nascidos na Suíça. Adoram o facto de poderem passar tanto tempo ao ar livre, sobretudo a fazer caminhadas nas montanhas.
Gostam de explorar a região de Grindelwald e Interlaken, na região de Oberland Bernês dos Alpes suíços, e de fazer “belíssimas caminhadas” na cidade de Neuchâtel.
Uma das suas atividades preferidas é uma famosa tradição de verão em Basileia, em que os habitantes colocam as suas roupas, sapatos e telemóveis dentro de um saco estanque, que também pode ser utilizado como auxiliar de flutuação, vestem o fato de banho, entram no rio Reno a partir da margem de Kleinbasel e “flutuam até casa”.
“Se é uma pessoa que gosta de atividades ao ar livre, então este é o país perfeito para si”, afirma Robert.
O casal considera que a Suíça oferece um melhor estilo de vida para a sua família. (Cortesia de Emily Toole)
Embora agora estejam felizes e perfeitamente instalados no país, a Suíça não fazia originalmente parte dos seus planos como destino de mudança até 2013, quando Emily recebeu uma proposta de emprego em Genebra.
Nessa altura, Emily, que estudou francês na universidade, sabia pouco sobre o país, para além da sua “reputação de sonho”, mas estava interessada em viver num destino de língua francesa.
Pessoas relaxam e tomam banho na margem norte do Reno, em Basileia, Suíça. (Sean Gallup/Getty Images)
Emily explica que ela e Robert, que se conheceram na Universidade de Notre Dame, no Indiana, estavam habituados a manter uma relação à distância – ambos tinham passado semestres no estrangeiro separadamente -, pelo que “viajar foi uma parte muito importante do início” da relação.
“Eu não podia propriamente perguntar: ‘Vais pedir-me em casamento?’”, acrescenta Emily. “Por isso pensei: ‘Tenho simplesmente de aceitar este emprego e depois ver onde isto nos leva.’”
Emily explica que adaptar-se à sua nova vida no país foi mais difícil do que esperava.
“Ambos pensámos: ‘Talvez experimentemos isto durante dois anos’, e o primeiro ano foi horrível.” Diz que teve dificuldade em adaptar-se e em criar ligações. “Sentir que pertencia, isso demorou mesmo algum tempo.”
Casaram no ano seguinte, e Robert conseguiu pouco depois uma transferência profissional para se juntar a Emily em Genebra.
Choque cultural
“É preciso ser proativo para conhecer pessoas e descobrir as coisas”, afirma Robert sobre a integração na vida na Suíça. (Cortesia Emily Toole)
Robert ficou encantado por voltar a viver no mesmo lugar que a mulher, mas também começou por “odiar” a vida na Suíça. “As culturas americana e suíça entram definitivamente em choque”, afirma Robert.
Ficou desiludido ao perceber que não haveria vizinhos a aparecer com um prato de comida para dar as boas-vindas ao casal. Segundo ele, os suíços tendem a “guardar-se para si próprios”.
“É preciso ser proativo para conhecer pessoas e descobrir as coisas. Não há comissão de boas-vindas.”
As coisas começaram a mudar quando o casal aderiu a uma igreja local e se inscreveu em clubes onde podia dedicar-se às suas paixões.
Robert é agora membro de um clube de stand-up comedy e atua regularmente em espaços por todo o país, enquanto Emily pertence a um clube de corrida e participa em ultramaratonas.
“Eles adoram os seus clubes aqui”, afirma Robert. “Provavelmente, a forma mais rápida de conhecer realmente suíços e fazer amizades com eles é envolver-se.”
À medida que o tempo passava e os seus contratos de trabalho eram renovados, o casal sentia-se cada vez mais instalado na Suíça e construía uma vida de que gostava.
Quando deram as boas-vindas ao primeiro filho, em maio de 2015, sentiram que tinham “criado raízes” no país, segundo Emily.
O casal viria a ter mais quatro filhos.
Adotar um estilo de vida suíço
Criar os filhos, cujas idades variam entre os 11 anos e os 10 meses, na Suíça deu-lhes uma apreciação ainda maior pela cultura suíça, e gostam do facto de haver tanta ênfase na autonomia e independência das crianças – o casal conta que todos os seus filhos começaram a ir sozinhos a pé para a escola a partir dos quatro anos.
O casal sente saudades dos seus entes queridos em casa e detesta ter de faltar a ocasiões familiares importantes. (Cortesia de Emily Toole)
“Eles conseguem fazer tantas coisas sozinhos”, afirma Emily.
O sistema educativo suíço é conhecido pelos seus elevados padrões, e o casal ficou impressionado com o desenvolvimento dos filhos. Valorizam o facto de a educação física parecer ser tão fortemente valorizada como a “educação formal”.
Emily e Robert mandam regularmente os filhos sozinhos para o parque ou para os treinos desportivos, levando “pequenos walkie-talkies” para se manterem em contacto.
“Nunca tivemos um incidente em 13 anos”, afirma Emily. “Não sei se poderíamos dizer o mesmo nos EUA.”
Ao longo dos anos, foram-se lentamente adaptando às tradições suíças, mas Emily e Robert admitem que continuam a ter dificuldades, por vezes, com as formas menos diretas de comunicação no país.
“Quando ficam zangados, escrevem uma carta”, conta Robert. “Laminam-na e colocam-na na sua porta antes de sequer baterem à porta para falar consigo.”
O casal também aprendeu a nunca lavar a roupa aos domingos, uma vez que as leis relativas ao ruído restringem os barulhos altos, incluindo os de eletrodomésticos ruidosos, neste dia de descanso protegido por lei.
“Os suíços levam as suas regras muito a sério”, acrescenta Emily.
Há cerca de 18 meses, mudaram-se de Genebra para a localidade de Therwil, nos arredores de Basileia, onde o contraste rural com a sua anterior casa na cidade e o facto de os habitantes locais falarem alemão – uma das quatro línguas nacionais do país, juntamente com o francês, o italiano e o romanche – fizeram com que o local parecesse um país diferente.
Emily deixou o seu trabalho ligado à igreja depois da mudança, explicando que é “quase impossível ter os dois pais a trabalhar sem a ajuda de um avô”, uma vez que os horários escolares são “bastante dispersos” no país.
Atualmente, lidera um grupo de música para bebés e está a fazer formação no programa de educação musical infantil Suzuki, destinado a bebés e crianças pequenas.
Os Tooles têm atualmente uma autorização de residência suíça C, que lhes permite viver e trabalhar na Suíça por tempo indeterminado, mas estão prestes a iniciar o processo de candidatura à cidadania suíça.
Embora estejam extremamente felizes na Suíça, a família sente muitas saudades da vida na América, sobretudo porque, nos últimos anos, não têm conseguido regressar tantas vezes, agora que são sete e os preços dos voos aumentaram.
Emily admite ter saudades de coisas simples, como poder parar num drive-through a caminho de casa ou meter conversa com um desconhecido num elevador.
“Acho que sinto falta da simpatia e da natureza acolhedora dos americanos”, acrescenta, antes de explicar que, ocasionalmente, sentem que estão a “perder praticamente tudo” no que diz respeito às experiências com a família e os amigos.
“É por isso que nos certificamos de abordar a questão todos os anos”, afirma Robert, observando que os filhos, sobretudo os mais velhos, veem os Estados Unidos como a “terra prometida” e adoram passar lá tempo. “Porque, sem dúvida, eles falam disso com muita frequência.”
Embora estejam abertos a outras possibilidades mais tarde, o casal considera que, em última análise, a qualidade de vida é muito melhor na Suíça. Por um lado, observa Robert, evitam ter de estar “o dia inteiro dentro do carro” – uma característica das visitas a casa que teme que passasse a fazer parte da sua vida se algum dia regressassem definitivamente.
“Sei que, para mim, essa seria a coisa mais difícil de readaptar se alguma vez voltássemos”, afirma.
Com a sua conversa anual sobre o regresso a casa a aproximar-se rapidamente, Emily e Robert sublinham que, embora as coisas possam mudar nos próximos anos, veem-se a continuar na Suíça num futuro previsível.
“Sentimo-nos realmente muito abençoados”, acrescenta Emily. “Por vezes, ficamos simplesmente maravilhados com as experiências que tivemos a oportunidade de viver.
“Quando tínhamos pouco mais de 20 anos, nunca nos teria ocorrido que estaríamos aqui.”