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A iniciativa assinala o Dia Mundial da Saúde Sexual, celebrado a 4 de setembro, e pretende contribuir para quebrar o silêncio em torno de um tema que, segundo a SPO, continua muitas vezes a ser pouco abordado nas consultas, apesar do impacto que pode ter no bem-estar, nas relações e na qualidade de vida.

Sob o mote “Não deixemos a sexualidade fora da consulta. A sexualidade também faz parte da saúde antes, durante e depois do cancro”, a campanha procura reforçar a importância de integrar a saúde sexual nos cuidados prestados às pessoas com doença oncológica.

Dor, fadiga, alterações hormonais, alterações da imagem corporal e disfunção sexual estão entre as consequências que podem surgir antes, durante ou depois do tratamento. Estas alterações podem ter impacto na saúde física e emocional, mas também na autoestima, na intimidade e nas relações.

“A saúde sexual faz parte da saúde e da qualidade de vida e, por isso, não deve ser deixada fora da consulta”, afirma o presidente da SPO, Nuno Bonito. Segundo o responsável, é importante criar espaço para que as pessoas possam abordar o tema com naturalidade e para que os profissionais de saúde consigam identificar necessidades e encaminhar para o apoio adequado.

Alterações sexuais afetam uma parte significativa dos doentes

A frequência das alterações na saúde sexual no contexto oncológico é significativa, de acordo com a SPO. Uma revisão recente de diferentes estudos sobre saúde sexual em pessoas com cancro e sobreviventes, publicada na revista científica ESMO Open, aponta para uma prevalência de disfunção sexual de até 66% entre mulheres com cancro.

Entre os homens com cancro, as estimativas situam-se entre 30% e 60%, com valores particularmente elevados no cancro da próstata. Nos cancros da mama e ginecológicos, os estudos analisados apontam para prevalências de disfunção sexual entre 55% e 89%.

Também a perda do desejo sexual é frequente entre sobreviventes de cancro, sendo reportada em 50% a 70% dos casos em alguns dos estudos analisados.

SPO disponibiliza informação sobre sexualidade

No âmbito da campanha, a SPO disponibiliza no seu site um conjunto de fichas informativas sobre as principais alterações que podem afetar a sexualidade nas suas diferentes dimensões.

A organização pretende, desta forma, transmitir a ideia de que a sexualidade continua a fazer parte da saúde antes, durante e depois do cancro, defendendo que qualquer alteração que cause preocupação deve poder ser discutida com a equipa de saúde.

A iniciativa será ainda complementada, em breve, por um episódio de podcast dedicado à saúde sexual no contexto da doença oncológica.

Para a SPO, os dados reforçam a necessidade de tornar a abordagem da saúde sexual mais sistemática e natural nos cuidados oncológicos. A organização incentiva as pessoas com cancro, os sobreviventes e os seus parceiros a partilharem dúvidas e preocupações com os profissionais de saúde, defendendo uma abordagem cada vez mais integrada, informada e centrada na pessoa.

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