Com a totalidade dos votos apurados, a Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 43,8% dos escrutínios, ficando a três assentos da maioria absoluta no Parlamento regional.
A União Democrata-Cristã (CDU), que governa o estado desde 2002, sofreu uma derrota histórica e caiu para 17,2%, metade dos votos obtidos em 2021. SPD e Die Linke obtiveram 9,3% e 8,6%, os Verdes conseguiram 8,9% e o Partido Liberal Democrático (FDP), integrante do atual governo regional, ficou de fora do parlamento com 2,6%. A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) conseguiu os 5,3%, o mínimo necessário para eleger deputados.
Um eufórico Ulrich Siegmund, candidato a primeiro-ministro da AfD, afirmou na festa eleitoral do partido que a noite era “histórica”. “Fizemos história. É um sinal para toda a Alemanha. É um impulso que atravessa todo o país. É claro que temos um mandato para governar. Estenderemos a mão a quem quiser resolver connosco os problemas que surgiram neste país”, disse.
A líder do partido de extrema-direita, Alice Weidel, instou este domingo o chanceler alemão, Friedrich Merz, a convocar imediatamente legislativas antecipadas para facilitar a sua substituição “antes do Natal”.
“Espero eleições federais antecipadas e espero que o atual chanceler seja substituído antes do Natal”, afirmou Weidel após o resultado que considerou “histórico” nas eleições daquele “Land” da ex-Alemanha de Leste (RDA), ainda antes de concluída a contagem dos votos.
O copresidente do partido, Tino Chrupalla, garantiu que a AfD vai “assumir a responsabilidade de governar na Saxónia-Anhalt e também a nível federal”, o mais tardar após as eleições gerais de 2029, acrescentou.
O candidato da União Democrata-Cristã (CDU, na sigla em alemão) na Saxónia-Anhalt, o primeiro-ministro Sven Schulze, manifestou-se desapontado com o resultado do partido, reconhecendo o “duro golpe”. “O vencedor das eleições, a AfD, é agora a força política mais forte no Parlamento regional da Saxónia-Anhalt”, admitiu, acrescentando que as lideranças dos partidos no estado federado, “mas também para além dele, devem enfrentar” o resultado.
O líder do grupo parlamentar da CDU na câmara baixa do Parlamento federal em Berlim, Thorsten Frei, considerou a vitória da AfD como “um ponto de viragem para o país”. “Nunca antes vivemos uma situação em que um partido classificado como ‘extremista de direita’ confirmado pelo Gabinete Regional para a Proteção da Constituição obtivesse uma maioria”, sublinhou.
O co-líder do Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão), que obteve 9,3% nestas eleições regionais, Lars Klingbeil, salientou que o resultado “é um motivo para refletir também sobre a política” feita em Berlim e “sobre o rumo reformista do Governo federal”, de coligação entre conservadores e social-democratas.
O resultado sugere que pode haver uma maioria para além da AfD, mas a vitória esmagadora do partido de extrema-direita torna pouco viável uma aliança estável entre vários partidos, na qual teriam de participar um partido conservador como a CDU do chanceler Friedrich Merz e uma formação de origem marxista como “A Esquerda”, a quinta força política, com 8,6%.
A secretária-geral da CDU, Franziska Hoppermann, reiterou que não é possível manter “conversas sérias com um partido que tem um grave problema de antissemitismo, que defende um modelo de sociedade completamente diferente do [modelo da CDU], que acusa de fazer política fascista”.
A líder do grupo parlamentar de “A Esquerda” na câmara baixa, Heidi Reichinnek, salientou que a CDU tem agora de decidir “de que lado da história está”.