João Cotrim de Figueiredo considera que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, está a “minar a estratégia política” do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e aponta três razões pelas quais já o teria afastado do Governo.

No seu espaço habitual de comentário na SIC Notícias, o programa “Visto Assim”, o antigo presidente da Iniciativa Liberal (IL) começou por dizer que “a bitola que Montenegro estabeleceu na Spinumviva permite que passe muita coisa” e lembrou que há já sete investigações em curso a envolver Luís Neves.

Mas o comentador destaca “três coisas” que Luís Neves fez, só nesta última semana, e que “seriam suficientes para o afastar”.

“A primeira é que Luís Neves deu prova que não sabe que é ministro. Não se deu conta. Não foi só ter-se aproriado da cerimónia do aniversário do comando regional da Madeira da PSP para fazer uma defesa de assuntos que são pessoais e que lhe dizem respeito apenas a si. Foi ter voltado a dizer que «eu sou polícia e continuarei a ser polícia»”, começou por apontar Cotrim de Figueiredo. “Deus nos livre que qualquer político se ache polícia e eu acho muito desconfortável para outros membros do Governo ter um dos seus colegas sentado à mesa do Conselho de Ministros a achar que é polícia.”

Em segundo lugar, João Cotrim de Figueiredo destaca em Luís Neves uma “falta de humildade chocante” em relação a Luís Montenegro. E sustenta com outra frase dita recentemente pelo governante: “Quando ele diz «eu não me vou demitir» não é a mesma coisa que dizer «eu estarei em funções até que o primeiro-ministro me retire a confiança».”

“Finalmente, e não menos importante, Luís Neves está a minar a estratégia política de Montenegro, que decidiu – já na legislatura passada e nesta também – manter uma certa equidistância entre o Chega e o PS para poder negociar à Esquerda e à Direita”, sublinha o antigo candidato à Presidência da República.

O comentador critica outra das declarações recentes do ministro da Administração Interna, quando promete contribuir para “derrotar politicamente o populismo”

“Ao dizer «é meu objetivo pessoal contribuir para a derrota do populismo», alguém lhe encomendou esse sermão? Ou este serviço? Está a minar a estratégia do primeiro-ministro e isso, para mim, seria suficiente para que não fizesse parte da minha equipa”, concluiu Cotrim.

Já quanto à moção de censura que será discutida na próxima terça-feira, o comentador considera que “é um número mediático para que o Chega vá ocupando a agenda”.

“Estamos sempre a falar nisto e enquanto falamos nisso não se fala daquilo que, para mim, continua a ser o mais importante que são as reformas que o país precisa e estamos todos atrás desta agenda que é marcada pelo Luís Neves e pelo Chega”, criticou.

A moção de censura do Chega ao Governo de PSD/CDS-PP, motivada pela continuidade em funções do ministro da Administração Interna, Luís Neves, devido às polémicas que envolvem o seu nome enquanto foi diretor da Polícia Judiciária, vai ser discutida pelo parlamento na próxima terça-feira, prevendo-se que seja inviabilizada.

A moção de censura do Chega vai ser a primeira ao XXV Governo Constitucional e a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro. O documento intitula-se “Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições” e visa responsabilizar o primeiro-ministro pela manutenção no Governo do ministro da Administração Interna. 

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