O PS já sabe que não permitirá a viabilização da moção de censura do Chega, mas continua por decidir se votará contra ou se ficará pela abstenção. O sentido de voto será anunciado amanhã, depois de reuniões do secretariado, da bancada parlamentar e da auscultação dos membros da comissão política nacional. Entretanto, José Luís Carneiro vai avançando sobre o Governo, que acusa de “faltar à verdade” nos combustíveis.

A garantia da manutenção do Governo em funções sairá da mão do PS, mas o líder socialista esteve esta segunda-feira na fronteira de Valença/Tui a dar provas de que a oposição ao Governo continua, com críticas ao preço dos combustíveis. A visita serviu para Carneiro mostrar as diferenças de preços entre os dois países e as “opções políticas dos dois governos”: do lado de lá da fronteira, em Espanha, um Governo socialista e, do lado de cá, a AD.

“Estamos a perder competitividade porque está a haver um movimento para comprar [combustível] em Espanha, o que já não acontecia desde 2008″ e “há empresas internacionais com indicações para abastecer, em Espanha”, afirmou Carneiro aos jornalistas, em declarações transmitidas em direto pela CNN Portugal.

O líder socialista aproveitou para defender novamente as propostas que o PS voltou a entregar no Parlamento para a redução do IVA sobre os combustíveis e também sobre o custo com os bens alimentares essenciais. E desafiou os partidos da AD, a Iniciativa Liberal e o Chega a aprovarem as iniciativas — ao contrário do que fizeram da última vez.

Admite que a proposta socialista “não é suficiente”, já que estes “esforços temporários não podem substituir a aceleração do apoio à transição energética”. E isto para atirar ao Governo que acusa de ter “descontinuado o esforço que estava a ser feito” nesse sentido.

Já quanto ao fogo cruzado entre PSD e PS sobre que Governo lucrou mais com o aumento dos combustíveis, José Luís Carneiro diz que o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, e o Governo “faltaram à verdade”, argumentando com os dados concretos que apresentou quando acusou o Governo de “ganhar dinheiro com a subida dos combustíveis.”

Carneiro “vive no passado” quando o PS “ganhava dinheiro com aumento dos combustíveis”, diz Hugo Soares

Ainda foi questionado pelos jornalistas sobre a posição da sua bancada na votação da moção de censura que será debatida esta terça-feira, mas só reafirmou que primeiro quer ouvir os órgãos do partido. Esta noite vai reunir o secretariado nacional do partido e durante o dia está em contacto com os membros da comissão política nacional. Esta terça-feira, antes do debate começar, a bancada parlamentar socialista ainda vai reunir-se. Só depois de tudo isto é que o partido anunciará a sua orientação de voto.

Para ser aprovada, uma moção de censura exige uma maioria absoluta de votos favoráveis (116). No atual quadro parlamentar e perante uma moção de censura vinda do Chega, a posição do PS é decisiva para o desfecho aritmético: é o único partido que, somado ao Chega, permitiria o tal mínimo de 116 votos favoráveis. A abstenção socialista é suficiente para inviabilizar a moção apresentada pelo Chega.