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O PIB do euro foi revisto em alta, de 0,4% para 0,6%, e superou o avanço trimestral norte-americano. Quase toda a diferença, porém, vem de um salto irlandês que pouco tem que ver com a economia real.

A economia da zona euro cresceu 0,6% entre abril e junho, face aos três meses anteriores, acima da estimativa inicial de 0,4%. Os dados foram divulgados esta segunda-feira pelo Eurostat e colocam o bloco à frente dos Estados Unidos, que avançaram 0,4% na mesma comparação.

A vantagem, contudo, é estreita e dura um trimestre. Na comparação com o ano anterior, são os Estados Unidos que estão à frente: 2,1% contra 1,2% da zona euro. E, no primeiro trimestre, tinha sido a economia americana a crescer, enquanto a europeia estagnava.

O que virou o resultado foi, sobretudo, a Irlanda, nota o Handelsblatt. O instituto de estatística irlandês reviu o crescimento do país de 3,9% para 10,2% — o valor mais alto da zona euro, depois de uma queda de 7,8% no trimestre anterior. É essa revisão que puxa quase toda a subida da média europeia.

Só que o salto não reflete a economia que os irlandeses vivem. Foi puxado pelas multinacionais ali sediadas por causa dos impostos baixos: os setores que essas empresas dominam cresceram 11,2%, a indústria globalizada disparou 22,1% e as exportações subiram 17,1%. Os setores domésticos avançaram apenas 0,7%. E a procura interna modificada, o indicador que a Irlanda usa precisamente para filtrar o peso das multinacionais, caiu 0,8%. Em termos homólogos, o PIB irlandês está mesmo a recuar 0,4%.

Descontado o efeito irlandês, há crescimento genuíno. A Espanha voltou a destacar-se entre as grandes economias, com 0,7% — ainda que esse valor já constasse da estimativa anterior e não explique a revisão. A Alemanha cresceu 0,3% e a França ficou parada.

No conjunto do bloco, o motor foi o comércio externo: o saldo entre exportações e importações somou 0,9 pontos ao crescimento, o consumo das famílias acrescentou 0,2 e a variação de existências retirou 0,5.

Portugal cresceu acima da média: 0,8% em cadeia, mais 0,2 pontos percentuais do que a zona euro e o dobro dos EUA. Face ao mesmo trimestre do ano passado, avançou 2,5%.

Também aqui o impulso veio de fora.

Segundo o INE, o contributo da procura externa líquida passou de -2,0 para +0,7 pontos percentuais, enquanto a procura interna abrandou, travada pela quebra do investimento.

A leitura final é uma só: a zona euro cresceu mais do que se esperava, mas grande parte do brilho é contabilístico.

Tiramos a Irlanda, e o trimestre foi menos cintilante.