O grupo Volkswagen continua a tentar orientar o seu negócio para o lucro, depois de ter desenhado um extenso plano de reestruturação que implica o fim da marca Seat. E seguem-se agora novas reestruturações, com a Bloomberg a noticiar que o grupo automóvel está a considerar desfazer-se da marca de motociclos Ducati.


A indicação foi dada por Gernot Döllner, o CEO da Audi, que admitiu que a marca italiana está entre as 600, num portefólio de duas mil empresas, que o grupo Volkswagen está a avaliar vender. A Ducati foi fundada em Bolonha em 1926, com a Audi a adquiri-la em 2012 por 747 milhões de euros.


“Estamos comprometidos, dentro do grupo Volkswagen, com uma gestão de portefólio disciplinada e responsável. A discussão da Ducati faz parte do processo de avaliação, mas nada foi decidido“, apontou Döllner.


A própria Audi está a reavaliar a sua estratégia, uma vez que se insere no grupo automóvel. Esta semana apresentou um modelo elétrico para a Europa, que irá ser complementado com um SUV de grande porte para os EUA e a introdução da marca na China. “Aprendemos nos últimos anos que a era do carro global acabou e que precisamos de soluções específicas para mercados específicos”, justificou o CEO.

Estamos comprometidos, dentro do grupo Volkswagen, com uma gestão de portefólio disciplinada e responsável. A discussão da Ducati faz parte do processo de avaliação, mas nada foi decidido.

Gernot Döllner
CEO da Audi


Uma análise de Michael Dean da Bloomberg Intelligence avalia a Ducati em 1,25 mil milhões de euros, sendo que a fabricante de “superbikes” participa nos campeonatos MotoGP (com o espanhol Marc Marquéz) e na Isle of Man TT. De facto, a empresa de Bolonha tem vindo a consolidar-se, nos últimos anos, como marca no motociclismo de competição, tendo ganho seis campeonatos consecutivos de MotoGP.


Apesar de ter adquirido a marca em 2012, a empresa já tinha explorado uma potencial venda em 2017, tendo desistido após a oposição dos trabalhadores. O patriarca do grupo, entretanto falecido em 2019, Ferdinand Piëch, foi um dos maiores apologistas da compra da Ducati, tendo integrado a administração da mesma, tanto que a cultura de engenharia da Ducati se insere no império que Piëch criou na Volkswagen.


No entanto, as margens que a Ducati tem vindo a apresentar estão aquém da meta traçada pela atual liderança da Volkswagen. A centenária marca de motociclos de alta cilindrada vende perto de 50 mil unidades ao ano, tendo gerado receitas de 925 milhões de euros no ano passado e apresentado um lucro de 52 milhões de euros. 

Grupo vende fábrica na Baixa Saxónia


O grupo automóvel chegou também esta semana a acordo com a Aurelis Capital para a venda e conversão da fábrica em Osnabrück, na Saxónia. Com a mudança de mãos, a fábrica vai deixar de produzir automóveis e começar a produzir componentes para sistemas de defesa aérea, nomeadamente drones.


“O plano prevê que a Aurelius, enquanto acionista maioritária, assuma o controlo da Volkswagen Osnabrück em conjunto com o Estado da Baixa Saxónia”, lê-se no comunicado emitido pelo grupo automóvel. Os dois novos parcerias, aponta a Volkswagen, “pretendem desenvolver o local nos próximos anos, transformando-o num centro de excelência em soluções de segurança e defesa“.


“Como projeto inicial, a Aurelius e o Estado da Baixa Saxónia planeiam cooperar com a Rafael Advanced Defense Systems. Esses planos envolvem o potencial fabrico de sistemas e componentes para sistemas de defesa aérea para a Alemanha e a Europa. Enquanto a Rafael contribuiria com expertise tecnológica e experiência na área de sistemas modernos de defesa aérea, a força de trabalho em Osnabrück desempenharia um papel central no estabelecimento das operações de fabrico e na industrialização da produção. A cooperação também visa abrir caminho para novas parcerias e projetos sob a égide da nova empresa“, sustenta a Volkswagen.


De recordar que o grupo já tinha decidido encerrar a produção automóvel naquela fábrica no verão do próximo ano, sendo que vai agora apoiar a transição da unidade e “contribuir com a sua experiência industrial, conhecimento em desenvolvimento e industrialização”.


Aos 125 anos de vida, a unidade da Volkswagen em Osnabrück vai mudar, evoluindo “gradualmente de um centro de competência para produção de pequenos componentes e veículos especiais para um centro de competência em soluções de segurança e defesa”.