Jason Statham e Annabelle Wallis em “Código: Vingança” (2026), filme dirigido por Jean-François Richet.Paris Filmes / Divulgação
Você só foi ver o filme por causa do Jason Statham, mas a ausência dos créditos de abertura em Código: Vingança (Mutiny, 2026), que estreia nos cinemas na quinta-feira (10), deveria servir como alerta de bomba. O anonimato trai o caráter genérico da produção e é quase uma confissão coletiva de vergonha.
É verdade que há poucos nomes famosos em Código: Vingança. No elenco, pode-se reconhecer Annabelle Wallis, da série Peaky Blinders e dos filmes de terror Annabelle (2014), Annabelle 2 (2017) e Maligno (2021), e, talvez, Roland Møller, dinamarquês visto em Atômica (2017) e no seriado Citadel.
O roteiro foi escrito pelos inexperientes Lindsay Michael e J.P. Davis, e a direção ficou nas mãos do francês Jean-François Richet, realizador de Assalto ao 13º Distrito (2005) e Alerta Máximo (2023).
Quando o filme começa, até parece que vai oferecer alguma inventividade, pelo menos visual. A montagem alterna closes nos olhos de Jason Statham com cenas da rotina na sede de uma corporação na Tailândia, onde o personagem encarnado pelo ator britânico, Cole Reed, trabalha como segurança do magnata Tibu Campallo (papel de Ramon Tikaram). Reed observa tudo e a todos, e essa sequência é eficaz em mostrar que algo de ruim está prestes a acontecer e que o protagonista é um sujeito preparado para isso.
Campallo, que está vendendo sua empresa de transporte marítimo, a KMG, acaba assassinado em uma emboscada, apesar dos esforços de Reed para protegê-lo. Evidentemente, o segurança é injustamente incriminado. Para escapar e buscar as respostas que todos nós já intuímos, ele embarca clandestinamente em um navio cargueiro. Durante sua cruzada solitária, vai interagir com os personagens de Roland Møller, o capitão Marko Madsen, e de Annabelle Wallis, Angie Ellis, a única mulher na tripulação.
Jason Statham interpreta Cole Reed no filme “Código: Vingança”.Dan Smith / Lionsgate / Divulgação
Código: Vingança segue a cartilha básica dos filmes estrelados por Jason Statham, ator que se especializou em histórias de vingança, vide Carga Explosiva (2002), Adrenalina (2006), Parker (2013), Redenção (2013), Infiltrado (2021), Beekeper: Rede de Vingança (2024)…
Como de costume na sua carreira, Cole Reed é um sujeito estoico e calado — só abre a boca para disparar frases de efeito ou desarmar seus oponentes pela simples combinação da voz rouca com seu olhar fuzilante. Quando precisa usar as mãos, bem, daí Statham consegue, como quase ninguém, conjugar brutalidade com sofisticação. Ele tem um jeito fino de cometer barbaridades contra o corpo humano, usando como arma seus punhos, seus pés, sua cabeça ou qualquer objeto que estiver ao alcance.
O problema é que, além de muito previsível, Código: Vingança também é muito morno. Pode ser que a idade esteja batendo — Statham completou 59 anos em 26 de julho —, mas seu personagem no filme pareceu menos vigoroso e trabalha menos do que o habitual. Com uma única exceção, a coreografia dos combates corporais carece de criatividade.
E as cenas de ação, além de serem prejudicadas por uma direção de fotografia preguiçosa e por uma edição confusa, são meio bissextas — talvez para abrir espaço a uma subtrama sobre tráfico humano parcamente desenvolvida. É um mero artifício para dar uma superioridade moral a Cole, autorizando nosso herói a descer a porrada em um monte de coadjuvantes sem um pingo de presença cênica.
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