O chanceler alemão, Friedrich Merz, acusou esta quarta-feira a AfD de apoiar a Rússia contra os interesses da Alemanha e de defender políticas anti-imigração que se comparam a uma “limpeza étnica”. 

No Bundestag, num discurso onde avaliou a derrota do seu partido, a CDU, nas eleições no estado oriental da Saxónia-Anhalt – que o partido de extrema-direita venceu – Merz lembrou as consequências da implementação das medidas que a AfD defende.


“Um em cada seis trabalhadores do setor dos serviços tem passaporte estrangeiro. Se aqueles que trabalham na Alemanha tiverem de abandonar o país porque os senhores inscrevem a “remigração” na vossa bandeira, então o setor dos serviços deixará de poder funcionar”
, avisou o chanceler. “Nenhum lar de idoso poderá funcionar, nenhum hospital poderá funcionar e nenhum restaurante pode continuar aberto. Esse seria o resultado da vossa política de remigração”, acrescentou. 

Num tom exaltado e de alerta, Friedrich Merz quis deixar claro que o projeto do partido de extrema-direita “não seria mais do que uma limpeza étnica com base na cor da pele e na origem. Nada mais”. 

“A palavra remigração não é mais do que um sinónimo para limpeza étnica”, acrescentou.  

Sobre o resultado eleitoral, Merz indicou que a AfD, que tem o apoio de Marine Le Pen, Donald Trump ou Elon Musk, não atingiu o objetivo de alcançar a maioria absoluta, apesar de ter sido o partido mais votado no estado da Saxónia-Anhalt, na Alemanha oriental. 

Friedrich Merz acusou ainda a extrema-direta de quebrar a sua promessa de que só governaria se obtivesse uma maioria absoluta. “Não conseguiram atingir o vosso verdadeiro objetivo eleitoral de garantir a maioria dos assentos na Saxónia-Anhalt, afirmou Merz. “Cerca de 56% dos eleitores da Saxónia-Anhalt não votaram no vosso partido”, lembrou. 

Em entrevista à Reuters, Eva Umlauf, sobrevivente do Holocausto e presidente do Comité Internacional de Auchwitz mostrou-se “chocada” com o resultado eleitoral. Também várias comunidades e representantes de minorias não esconderam a preocupação com a chegada da AfD ao poder. 

(com agências)