
O corpo humano funciona melhor acompanhado. Quando comemos ao lado de alguém de quem gostamos, o açúcar no sangue sobe menos e normaliza mais depressa.
Um novo estudo, publicado o mês passado na Science Advances, encontrou evidências de que a presença de uma pessoa próxima pode ajudar o organismo a regular de forma mais eficiente os níveis de açúcar no sangue após uma refeição.
Em uma das experiências, 108 participantes consumiram 102 gramas de pão branco de trigo. Durante as duas horas seguintes, os investigadores acompanharam a sua resposta glicémica.
Os participantes realizaram o teste em duas condições: numa, comeram sozinhos; noutra, comeram na presença do respetivo parceiro romântico. Na condição social, a subida da glicemia foi menor e a recuperação para os valores de referência foi mais rápida do que quando os participantes estavam sozinhos.
Segundo o ScienceAlert, os autores interpretam estes resultados como evidência a favor de um princípio a que chamam “fisiologia social”: a ideia de que a proximidade de pessoas com quem temos uma relação próxima pode tornar mais eficiente a regulação de diferentes funções fisiológicas.
“A regulação do açúcar no sangue não se resume apenas ao que comemos, mas também a com quem comemos”, explicou a autora principal do estudo Shir Atzil.
Os investigadores baseiam esta hipótese, em parte, em trabalhos anteriores que mostram que as relações sociais podem influenciar diversos processos fisiológicos.
Em várias espécies animais, o isolamento social foi associado a alterações na resposta ao stress, na função imunitária e no metabolismo. No entanto, os efeitos não são uniformes entre espécies.
Neste estudo, os cientistas procuraram testar diretamente se a presença de uma pessoa próxima poderia alterar a resposta do organismo à mesma situação fisiológica.
Numa segunda experiência, envolvendo 116 participantes, estudaram a regulação da temperatura corporal durante a exposição ao frio. Quando o parceiro estava presente, a resposta termorreguladora foi mais eficiente, particularmente quando existia contacto físico. No entanto, também foram observados efeitos na ausência de contacto físico.
Noutro conjunto de experiências, envolvendo 115 adultos, os participantes foram submetidos a um desafio destinado a provocar uma resposta de stress. A resposta do sistema nervoso simpático, avaliada através de indicadores como a condutância da pele, foi menor quando outra pessoa estava presente. A recuperação da resposta fisiológica também foi mais rápida na condição social.
Os investigadores realizaram ainda uma experiência com 56 bebés e as respetivas mães. Também neste caso, a presença da mãe esteve associada a uma resposta menor do sistema nervoso simpático durante o desafio experimental.
Em conjunto, os resultados sugerem que a presença de uma pessoa com quem existe uma relação próxima pode influenciar a forma como o organismo responde a diferentes desafios — metabólicos, térmicos e relacionados com o stress.
Por fim, os autores propõem que este padrão poderá representar um princípio mais geral de regulação fisiológica, embora sejam necessários estudos adicionais para determinar a dimensão, os mecanismos e a relevância clínica destes efeitos.