Em 2025, 368 pessoas receberam um órgão ou tecido transplantado pelo SUS em Mato Grosso do Sul, 16% a mais que as 318 de 2024, segundo a Central Estadual de Transplantes. O salto maior foi nos órgãos sólidos, como fígado e rim, que passaram de 40 para 70 cirurgias. Foram 49 transplantes de fígado, 21 de rim e 298 de córnea. O Estado chega aos 49 anos, neste domingo (11), com uma rede de saúde maior e com um velho desafio de volta: o mosquito.
No Registro Brasileiro de Transplantes de 2025, citado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mato Grosso do Sul ficou em sexto lugar no país em transplantes de fígado, com 16,8 por milhão de habitantes, e também em sexto em córnea, com 101,9 por milhão. De janeiro a abril de 2026, foram mais 23 transplantes de fígado, 31 de rim e 84 de córnea. Mesmo assim, a fila em maio tinha 367 pessoas à espera de um rim, 463 de uma córnea, 15 de um fígado e uma de um pâncreas. “A autorização familiar ainda é um dos maiores desafios em todo o país”, disse a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Claire Miozzo, à agência de notícias do governo.
Dourados ganhou um hospital regional
No sul do Estado, o Hospital Regional de Dourados foi entregue em 20 de dezembro de 2025 com 100 leitos: 59 de internação, 20 de UTI, sendo 10 para adultos e 10 para crianças, e 21 de cuidados imediatos. O complexo custou R$ 134,1 milhões, dos quais R$ 89,53 milhões do Estado e R$ 44,56 milhões da União, e atende 34 municípios do Cone Sul, onde vivem cerca de 900 mil pessoas. Em abril, a unidade passou a oferecer ressonância magnética pelo SUS. A meta anunciada pelo governo é chegar a 192 leitos ao longo de 2026.
A rede estadual também passou a internar mais. Segundo os relatórios de gestão da SES, as internações saltaram de 39.486 em 2023 para 58.916 em 2025, alta de 49%. Em 2025, a secretaria pagou R$ 2,47 bilhões em ações de saúde. Nos dois primeiros quadrimestres de 2026, foram R$ 1,61 bilhão, como mostrou a prestação de contas feita na Assembleia Legislativa em setembro.
Vacinação lidera ranking, mas a gripe ficou para trás
Na vacinação, Mato Grosso do Sul teve nota 100 e ficou em primeiro lugar no indicador de cobertura vacinal do Ranking de Competitividade dos Estados 2025, do Centro de Liderança Pública (CLP), pelo segundo ano seguido. O governo informa ter aplicado mais de 2,5 milhões de doses em 2025. A exceção é a gripe: em junho, a própria SES alertou que a cobertura contra a influenza em 2026 estava em 43,85%, abaixo do necessário para proteger a população.
Chikungunya é o alerta do ano
O maior problema de 2026 tem nome: chikungunya. Até a semana epidemiológica 32, em agosto, último boletim estadual consolidado que A Crítica conferiu, o Estado havia confirmado 10.041 casos e 30 mortes pela doença, além de 114 casos em gestantes, segundo o boletim da SES. Em todo o ano de 2025 tinham sido 7.650 casos confirmados e 17 mortes. Dourados, a cidade mais atingida, prorrogou em setembro a emergência em saúde pública, com 19 mortes, 11 delas entre moradores da Reserva Indígena.
A dengue seguiu o caminho oposto. Foram 1.978 casos confirmados e uma morte até agosto de 2026, contra 8.461 casos e 20 mortes em 2025 inteiro. As duas doenças são transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti, e a chegada das chuvas, a partir de outubro, aumenta o risco de novos casos. Eliminar água parada em vasos, pneus, calhas e caixas-d’água segue sendo a principal forma de prevenção.
Em númerosA saúde de MS em 2025 e 2026
Transplantes 2025368, contra 318 em 2024 (Central Estadual de Transplantes)
Fila de espera367 por rim, 463 por córnea, 15 por fígado e 1 por pâncreas (SES, maio)
HR DouradosAbriu com 100 leitos em dezembro de 2025; atende 34 municípios
Internações58.916 na rede estadual em 2025, 49% a mais que em 2023 (SES)
Gripe43,85% de cobertura vacinal em 2026 (SES, junho)
Chikungunya10.041 casos e 30 mortes até agosto de 2026 (SES)
+ Como prevenir a chikungunya
Água parada: esvazie vasos, pneus, garrafas e calhas; mantenha a caixa-d’água tampada.
Sintomas: febre alta repentina e dor forte nas articulações; procure a unidade de saúde e evite automedicação.
Doação de órgãos: a doação depende da autorização da família; quem deseja ser doador deve avisar os parentes.
Fontes: Secretaria de Estado de Saúde (SES), Central Estadual de Transplantes, boletins epidemiológicos e relatórios de gestão; Ranking de Competitividade dos Estados 2025 (CLP).
As informações desta caixa não substituem orientação médica. Procure um profissional de saúde ou a unidade de saúde mais próxima.

