O crítico acrescenta que, se a obra de Ana Amorim ainda continua relativamente pouco conhecida, é porque, ao longo das últimas décadas, “ela optou, uma e outra vez, por seguir apenas os caminhos que lhe pareciam corretos, mesmo sabendo que isso limitaria o alcance que a obra poderia ter ou até excluiria por completo a possibilidade de sua circulação”.
As obras expostas em Mapas Mentais refletem essa postura crítica e anticapitalista de Ana Amorim. A peça gráfica Programa de Ajuste Estrutural, de 2001, por exemplo, faz referência ao termo utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para um conjunto de reformas neoliberais impostas a diferentes países. A obra é composta de colagens, desenhos e objetos sobre tecido pintado com acrílica. Nela, a artista busca ilustrar as consequências dessas reformas na sociedade.
A obra A Vida das Pessoas (2003) é composta de um conjunto de colagens em sete cartolinas plastificadas. A coleção é baseada em “imagens e notícias da mídia sobre as dificuldades que as pessoas encontram para viver”, como a artista explica. Esse elemento, a preocupação com o mundo ao seu redor e com os acontecimentos que afetam a vida humana, é uma marca da produção artística de Amorim.
Transcomunicadora (2004-2016) é um conjunto composto de crachás e impressão em papel, que reflete os 13 anos em que Amorim atuou como intérprete voluntária de movimentos sociais e ONGs em diversas partes do mundo. “Para mim, esse trabalho é o mais poético que eu fiz. Eu era uma boca e um ouvido para o outro.”
Assange (2019) é feita com linha de algodão mercerizado. Bordada à mão sobre linho, a obra carrega esse nome em tributo ao jornalista australiano Julian Assange, fundador do Wikileaks, acusado de espionagem pelos Estados Unidos depois que sua plataforma denunciou crimes cometidos pelo governo estadunidense, através do vazamento de documentos confidenciais.