A indústria de televisores já se prepara para a próxima temporada de vendas do setor, que vai da Black Friday, no fim de novembro, até a Copa do Mundo de 2026, marcada para junho nos EUA, México e Canadá. Será também o início das transmissões da TV 3.0, que promete maior interatividade no sinal aberto. O mercado projeta um crescimento de até 10% nas vendas nesse período, impulsionadas pela mais nova tendência do mercado: as TVs gigantes, com imagem em altíssima definição (8K) e recursos de inteligência artificial (IA).
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A indústria identificou um interesse crescente dos consumidores por telas maiores e mergulhou nisso com investimentos em novos modelos e tecnologias. De olho no calendário, as principais fabricantes que atuam no Brasil já adaptam linhas de produção para levar ao mercado telas de dimensões inéditas, de até 116 polegadas. O tamanho impressiona: a largura do modelo chega a 2,63 metros. Mas os fabricantes garantem que tecnologias embarcadas, com redução de luz azul, maior ângulo de visão e menos reflexo, auxiliam no conforto do usuário mesmo em cômodos não muito grandes, embora haja distanciamento mínimo.
O setor projeta chegar ao fim deste ano com alta entre 2% e 3% nas vendas de TVs, totalizando cerca de 11 milhões de aparelhos comercializados e faturamento de R$ 25 bilhões. Nada mau em tempos de crédito caro. Para 2026, com a expectativa de queda dos juros, as empresas esperam alta de até 10% com a Copa, que tradicionalmente impulsiona as vendas da categoria.
A chinesa Hisense anuncia na próxima semana seu novo modelo, de 116 polegadas, ao custo de R$ 199 mil — Foto: Divulgação
A Samsung lançou no Brasil, na semana passada, uma TV de 115 polegadas a R$ 99,9 mil. Helbert Oliveira, diretor sênior da Divisão de TV, Áudio e Monitores da coreana no país, diz que eventos são catalisadores de vendas em um mercado já maduro como o brasileiro. Por isso, a estratégia da companhia, líder no segmento de TVs aqui, é estimular a troca por modelos maiores e com mais tecnologia embarcada. A empresa anunciou também 11 novos modelos com 24 dimensões diferentes.
— O brasileiro está buscando tamanhos maiores. Estamos investindo em um portfólio premium com uma gama variada de polegadas. A Black Friday é um ensaio para o ano que vem, com a Copa, quando muitas pessoas aproveitam os jogos para trocar de aparelho. Há espaço para telas maiores no Brasil. O movimento vem acompanhado de modelos com mais tecnologia, com IA embarcada e integração com os smartphones, que viram microfones para karaokê, e relógios, cujos movimentos do pulso se tornam comando para a TV — explica o executivo.
Segundo ele, 55% das vendas neste ano devem se concentrar no segundo semestre, o que deve se inverter no ano que vem por conta do Mundial. Os lançamentos, batizados de TVs Vision AI, abrangem diferentes tecnologias, incluindo as linhas Neo QLED 8K, Neo QLED 4K, OLED e a The Frame Pro 4K, para quem busca design na decoração. Em geral, os preços começam em R$ 3.899. Os modelos contam com tecnologia que transforma a resolução de qualquer imagem em 4K e 8K. E têm uma taxa de atualização maior, de até 240Hz, permitindo maior fluidez nas imagens, ideal para games. E ainda têm embarcado o Copilot, sistema de IA da Microsoft.
— Até o fim do ano, haverá diversas funções novas, como tradução em transmissões ao vivo. Alguns modelos já contam com conexão sem fio, não precisam do cabo para transmitir a imagem — diz Oliveira.
A TCL Semp lançou o modelo de 115 polegadas em 2024 por R$ 149.999, depois de levar ao mercado telas de 85 e 98 polegadas. Nikolas Corbacho, gerente de Produtos da companhia, calcula que o mercado das “supergrandes” cresce 22% ao ano, e as vendas da marca no segmento saltaram 116% em 12 meses. Há ainda espaço para crescer, ele avalia:
— Há um aumento no interesse impulsionado principalmente por streamings e futebol. O consumidor não quer acompanhar essas programações numa tela pequena, mas esse desejo estava sendo suprido por projetores, que não proporcionam a qualidade de imagem da TV. A resolução não é a mesma, a iluminação pode atrapalhar, não há aplicativos embarcados.
Comparando as TVs gigantes — Foto: Editoria de Arte
A chinesa Hisense anuncia na próxima semana seu novo modelo, de 116 polegadas. Com preço sugerido de R$ 199 mil, o modelo será comercializado apenas sob demanda nos principais varejistas do país. Para Erico Traldi, vice-presidente de Marketing e Vendas, a Black Friday deste ano será um aquecimento para a Copa:
— O brasileiro continua buscando, nesses eventos, o upgrade de tecnologia e tamanho. Apesar de as telas de 65 polegadas serem as queridinhas, as maiores estão cada vez mais no desejo dos consumidores. O planejamento para os eventos é primordial e estamos preparados em todos os parceiros on-line e diversas lojas pelo Brasil com ofertas.
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Personalização e imersão
Rodrigo Fiani, vice-presidente de Vendas da LG no Brasil, espera alta de 10% na demanda por televisores na Black Friday em comparação ao ano passado. Segundo ele, as vendas serão puxadas principalmente pelas telas OLED:
— O diferencial está na IA em todos os modelos, o que garante personalização, imersão e facilidade de uso no dia a dia.
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O comércio também já colocou seu time em campo. No Mercado Livre, televisores serão os protagonistas da Black Friday, e uma das estratégias para a data é garantir entregas mais rápidas. Gonzalo Greco, diretor de Marketplace da varejista on-line, lembra que tradicionalmente há um incremento de 15% nas vendas de TVs em anos de Copa:
— Já iniciamos conversas com os principais fabricantes e parceiros estratégicos do setor para garantir sortimento robusto e preços competitivos. Estamos estruturando acordos que envolvem condições comerciais diferenciadas e ativações conjuntas de marketing. A TV será um dos hits de vendas neste segundo semestre e na preparação para o Mundial.
TVs gigantes também estão no radar do Magalu para a Black Friday. A varejista prevê descontos entre 30% e 50% e parcelamento em até 21 vezes.
— É muito importante o crédito e o parcelamento facilitado nesses produtos de tíquete mais alto. Estamos trabalhando com os fabricantes para trazer essas “telonas” com preços mais acessíveis — afirma o diretor comercial, Fernando Canina.
Casas Bahia e Ponto Frio também preparam condições especiais para novembro, com parcelamento prolongado nos cartões e crediário das marcas. Gustavo Pimenta, diretor comercial do grupo, diz que a chegada de telas grandes torna os preços mais acessíveis:
— Com opções cada vez maiores, as de 75 ou 86 polegadas, que tinham preços proibitivos, agora são mais factíveis.
A Copa deve coincidir com as primeiras transmissões da TV 3.0. Embora o padrão técnico ainda não esteja definido para a adaptação da cadeia de suprimentos e fabricação, os aparelhos poderão aderir à tecnologia com conversores. “As conversas estão em andamento. Os fabricantes participam ativamente dos fóruns técnicos e mantêm diálogo com o governo e entidades normativas para definir requisitos claros e assegurar a interoperabilidade dos equipamentos”, informou a Eletros, associação das empresas do setor.