Há dois anos, no minuto 90 da partida entre o NEC Nijmegen e o AZ Alkmaar (campeonato neerlandês), Bas Dost caiu inanimado no chão. Depois disso fez uma pausa, sempre com a esperança de regressar aos relvados, mesmo com a miocardite que lhe foi diagnosticada na sequência do colapso em campo. Esta sexta-feira anuncia que vai terminar definitivamente a carreira “Não quero brincar com a minha vida”, admitiu ao ao jornal Algemeen Dagblad.
O avançado neerlandês de 36 anos, que é ex-jogador do Sporting, até recebeu, em abril, autorização do cardiologista para voltar a treinar. Usava um pacemaker e era acompanhado em permanência por um especialista que, em junho, lhe disse que uma anomalia tinha sido detetada durante um treino. “Esse momento mudou tudo. Pensei: ‘Não quero isto’. Não quero arriscar a minha vida. Pensei nisso durante duas semanas e depois tomei a decisão”, afirmou ao mesmo jornal.
Em 2016, Bas Dost foi contratado ao Wolfsburg, para jogar pelo Sporting. Até 2019, jogou 127 partidas e marcou 93 golos. Ao serviço dos verdes e brancos conquistou duas Taças da Liga e uma Taça de Portugal.
A passagem pelo clube português ficou marcada por muitos golos mas também pelo ataque a Alcochete: o avançado foi o elemento com mais marcas físicas dos minutos de terror que se viveram em 2018 na academia do Sporting.
Na 30.ª sessão do julgamento do caso de Alcochete contou a agressão na primeira pessoa. “Estava sozinho e fiquei com medo, até que um [homem de máscara] se voltou para mim, sem que visse o que tinha na mão, e atingiu-me na cabeça”, recordou em fevereiro de 2020. Ficou inconsciente por alguns segundos e “tinha muito sangue na cabeça”. Levou pontos, ficou com uma cicatriz na cabeça e com marcas psicológicas do ataque inesperado.
Quase dois anos depois do ataque da invasão à academia leonina, Bas Dost ainda dizia que não se sentia bem. “Não vou dizer que tenho tanto medo como no primeiro mês após o ataque. Falei com muitos terapeutas especializados em trauma. Estive em terapia em Lisboa logo depois do ataque, que me sugeriu que seria bom sair do país”, contou em tribunal.
A passagem pelo clube português terminou pouco mais de um ano após o ataque. Depois disso, passou pelo Eintracht Frankfurt e pelo Club Brugge. E, em 2022, regressou aos Países Baixos, jogou pelo FC Utrecht e depois pelo NEC Nijmegen.