Thalita Rebouças fez duras críticas à organização da I Bienal do Livro do Paraná em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (14). Inicialmente, a escritora seria uma das convidadas do evento, mas acabou cancelando sua participação. A feira literária, que aconteceria entre os dias 10 e 19 deste mês e acabou adiada, vem recebendo uma enxurrada de críticas na internet.
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“Diante de uma calúnia, precisei me manifestar”, afirmou Thalita Rebouças na legenda do vídeo publicado em seu perfil no Instagram.
No início de outubro, a organizadora da Bienal do Livro do Paraná anunciou que Thalita Rebouças, Pedro Bial e Sérgio Rodrigues não participariam mais da feira literária. Em post no Instagram, o evento afirmou que “matérias de caráter tendencioso e depreciativo” teriam desestimulado a presença de convidados, mesmo com “toda a estrutura já preparada, passagens compradas e hospedagens confirmadas”.
A primeira Bienal do Livro do Paraná estava marcada para acontecer entre os dias 10 e 19 de outubro, no Jockey Club de Curitiba. No dia 5, no entanto, a organização avisou via redes sociais que precisaria adiar a feira “por motivos operacionais, logísticos e também em função das condições climáticas dos últimos dias”.
‘Alteração de valores de cachê’
Em nota enviada à imprensa, a Cocar Produções Editoriais, que organiza a Bienal, afirmou que Pedro Bial cancelou por questões de agenda. E que Thalita teria cancelado devido a “uma alteração de valores de cachê” que, continuou a nota, “em decorrência do pouco tempo solicitado para o trâmite, não foi possível ser realizada”.
Em seu post no Instagram, Rebouças afirmou estar “profundamente chateada e indignada”, citando, ainda, “notícias preocupantes” para justificar sua ausência na bienal paranaense. “Não aceito mentira com meu nome. Não aceito que queiram passar uma imagem que não me representa”, concluiu a escritora.
Thalita Rebouças disse que a mudança de data, de local e a falta de contrato fizeram com que vários colegas dela desistissem de participar do evento. No vídeo, ela também fala de uma suposta “coação” por parte da diretora da feira, que teria mandando uma mensagem para uma pessoa de sua equipe perguntando por que Thalita teria ido ao aeroporto se ela não iria ao evento no Paraná. “Onde vocês querem chegar com isso?”, questionou Thalita. Veja o vídeo a seguir.
‘Maior escândalo que o mercado editorial já viu’
Thalita Rebouças não é a única a manifestar sua insatisfação com a organização da I Bienal do Livro do Paraná. Nos comentários do vídeo publicado por ela, outras pessoas se mostraram descontentes. Como o ator e roteirista Felipe Cabral, que afirma ter sido convidado para ser curador da “área LGBT”.
“Perguntaram se eu podia convidar as pessoas antes de receber, porque ‘o dinheiro ia ser captado depois’. E eu não aceitei, disse que preferia começar quando tivesse dinheiro. E nunca nem me responderam mais. Como uma amiga era produtora, logo contou que era tudo errado mesmo. Minha amiga saiu do projeto e depois o nome dela estava na inscrição de leis do projeto, mesmo ela fora. Tudo errado”, escreveu Cabral.
No post em que a organização da Bienal avisa que a mesma teria de ser adiada, há uma enxurrada de comentários negativos. O perfil @escrevagarota diz que está processando a feira.
“Queremos cada centavo do valor pago no estande que adquirimos. Estamos desde janeiro tentando reaver nosso dinheiro, com processo judicial já correndo. Perto do que outras pessoas perderam, nosso prejuízo foi até pouco. Acordamos logo no início, quando percebemos que todo o dinheiro pago estava indo para a conta da MÃE da tal produtora (que estava com todas as contas bancárias bloqueadas porque está devendo Deus e o mundo). Isso tudo é o maior escândalo que o mercado editorial já viu. Que a produtora seja penalizada em todas as esferas devidas”, diz o comentário.
A escritora Bianca Vital, do perfil @o.mundomagico, também relatou sua frustração com evento. “Eu poderia dizer que é inacreditável, mas não é. Essa seria minha primeira bienal como autora. Eu sou de São Paulo, fiz financiamento coletivo, criei um jogo de cartas pedagógico para arrecadar fundos, pessoas de muitos lugares me apoiaram financeiramente, comprei passagens, paguei hospedagem, e faltando praticamente 5 dias vocês tem a coragem de fazer isso?! Quanta falta de respeito! Vocês estão destruindo sonhos por pura irresponsabilidade e falta de transparência”, disse Bianca.
O GLOBO está tentando ouvir a Cocar Produções Editoriais, responsável pela I Bienal do Livro do Paraná, mas ainda não obteve retorno.