Gente sentada no chão, muitos de pé e todas as cadeiras ocupadas numa Tenda Vila Literária transbordante de atenção para ouvir os recados da primeira prémio Nobel convocada para a 10ª edição do Fólio. Em Óbidos, a bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, que venceu o Nobel da Literatura em 2015, deixou no dia 11 de outubro vários recados: numa altura em que “as democracias estão a perder para os populismos”, a escritora alertou para a necessidade das populações não se deixarem submeter a regimes totalitários.
E, em véspera de autárquicas por cá, Svetlana falou diretamente aos portugueses: “Vocês que vão ter eleições em breve, não deixem ganhar os populistas, não deixem que vos roubem o vosso país”.
A bielorrussa admitiu “vergonha” perante o facto do seu país fazer “tão pouco para ajudar a Ucrânia”. “No fundo, a Bielorrússia acaba por ser também um país ocupado pela Rússia”, lamentou.
À entrada para a reta final do festival, há mais dois premiados com o Nobel a caminho de Óbidos, entre os muitos convidados que ainda vão passar por este Fólio.
A novidade não é a presença do húngaro László Krasznahorkai na vila – já tinha sido divulgada na programação – mas, sim, o facto de ele ser, agora, o mais recém-distinguido com o Nobel da literatura, divulgado na quinta-feira da semana passada.
A Academia Sueca descreve o galardoado como “um grande escritor épico na tradição da Europa Central, que se estende de Kafka a Thomas Bernhard, e é caracterizada pelo absurdo e pelo exagero grotesco”.
Além de Krasznahorkai, que estará em Óbidos no domingo, já esta sexta-feira o Fólio festeja a presença do conceituado escritor sul-africano J.M. Coetzee.
Mas há muito mais para descobrir até domingo no Fólio, para além dos dois prémios Nobel. Esta edição, dedicada ao tema “Fronteiras”, leva à vila perto de 800 autores que participam em 464 iniciativas culturais, entre mais de uma centena de conversas com escritores e artistas, tertúlias, exposições, seminários, lançamento de livros, ciclos de cinema, concertos e entregas de prémios.

Destaques
17 de outubro
J.M. Coetzee [01] conversa com Alberto Manguel esta quinta-feira (21h), na Tenda da Vila Literária. Antes (18h30), Gonçalo M. Tavares e Lauren Mendinueta, encontram-se na galeria NovaOgiva, a propósito do livro “Um osso quase invisível” da autora colombiana. Na Tenda Tinta-da-China, no Jardim do Espaço do Ó, Rui Tavares e Pacheco Pereira falam de “Uma editora de livros de História” (19h)
18 de outubro
“Música como forma de experimentar o mundo junta Xana [02] com Paula Guerra, Rui Citra e Vítor Belanciano na galeria NovaOgiva (15h). À mesma hora, Luísa Costa Gomes e Teolinda Gersão debatem “Género Literário” na Tenda Vila Literária. No mesmo espaço, a brasileira Giovana Madalosso [03] fala com José Eduardo Agualusa sobre “Real”. (18h). E Joana Marques [04] e Ricardo Araújo Pereira conversam sobre “Liberdade”, também na Tenda da Vila Literária (21h). Na Praça da Criatividade, O Gajo apresenta Projeto Trovoada (22h)
19 de outubro
“As fronteiras da Língua Portuguesa em África” são escalpelizadas por José Luiz Tavares e Ungulani Ba Ka Khosa no domingo (11h30), na Tenda Vila Lterária. No mesmo espaço, Pierre Singaravélou e Pedro Aires Oliveira refletem sobre “Impérios”, com moderação Luís Caetano (14h); e “Morte” é o mote para a conversa com László Krasznahorkai [05] com Lionel Shriver e Rui Cardoso Martins (17h). Quase no final do festival, o Fólio recebe a palestiniana Shahd Wadi [06], para falar do livro “Jardins voadores para Gaza”, na livraria Santiago, com lançamento de papagaios de papel (19h)
O programa integral está disponível na internet, em www.foliofestival.pt.