A Comissão de Credores do Boavista Futebol Clube votou pelo encerramento do clube, tendo essa decisão sido comunicada, na última segunda-feira, pela Administradora de Insolvência ao Tribunal Judicial da Comarca do Porto.
Em comunicado, divulgado esta terça-feira, a direção dos axadrezados já reagiu. O clube mostra-se «surpreendido» com a decisão e vai apresentar «um requerimento destinado a impedir uma decisão que, sendo reversível, produziria, contudo, efeitos imediatos profundamente lesivos para o clube, para os seus praticantes e para o desporto português».
No requerimento submetido pela Administradora de Insolvência, a que o Maisfutebol teve acesso, é explicado que a «exploração do Estabelecimento da Insolvente (Boavista) denotava agravamentos, devido a não se conseguirem assegurar as receitas esperadas, concretamente, as retribuições do “Protocolo” com o BFC SAD, as rendas do direito de superfície apreendido, as derivadas do investidor, entre outros», para além de que as «despesas correntes» estarem a implicar a «acumulação de dívidas da massa insolvente».
O cenário exposto conduziu a uma votação, pela Comissão de Credores, relativa à manutenção em atividade, ou ao encerramento, do Boavista Futebol Clube.
Votaram a favor do encerramento o membro da Autoridade Tributária e Aduaneira e a empresa Sacyr Somague, S. A., enquanto Joaquim Pires pronunciou-se pela manutenção da atividade do clube.
O Maisfutebol procurou obter uma reação do presidente do Boavista Futebol Clube, Rui Garrido Pereira, que não se mostrou disponível para prestar esclarecimentos até à hora da publicação desta notícia.
Entretanto, o clube emitiu um comunicado em que explica que «o incumprimento do Protocolo por parte da Boavista SAD está na origem da situação de insolvência do clube», pelo que irá solicitar «a intervenção urgente do Tribunal para que seja determinado o cumprimento integral do Protocolo pela SAD ou, em alternativa, a libertação das instalações do clube, tendo em conta a situação de insolvência da mesma».
«Neste sentido, prosseguem negociações a vários níveis, com várias entidades, com o objetivo de viabilizar a recuperação financeira e desportiva do Boavista FC», acrescentam os responsáveis dos Axadrezados.
Assegurando que «o eventual “encerramento do Estabelecimento” não determina o fim do Boavista Futebol Clube enquanto instituição, mas implicaria consequências graves», o clube defende ainda que «o modelo de gestão aplicado à liquidação de sociedades comerciais não é diretamente aplicável a clubes desportivos», pois «os clubes desempenham uma função social ampla, cuja interrupção não se limita a impactos contabilísticos, mas recai sobre comunidades inteiras».
O Boavista vive um momento delicado na sua história, tanto a nível financeiro como desportivo, com a equipa de futebol profissional, sob a alçada da SAD, a ter caído diretamente da Liga até aos distritais, no último verão. Para além disso, o clube, que decidiu inscrever igualmente uma equipa na AF Porto, viu-se forçado a desistir de participar na última divisão daquela associação por não ter conseguido inscrever jogadores.