Herman José quebra silêncio: revela por que não entrou na polémica entre os Anjos e Joana Marques — “Aprendi isso à minha custa”, disse.

Humorista recusa tomar partido e explica decisão: “Preferi pôr a cabeça no cepo”

A polémica que opôs os Anjos a Joana Marques dividiu figuras públicas, comentadores e fãs. Contudo, Herman José optou por ficar de fora do debate. Não por falta de opinião, mas por consciência das consequências pessoais e profissionais.

No especial do podcast Humor À Primeira Vista, o humorista conversou com Gustavo Carvalho e explicou, com rara franqueza, por que decidiu não se pronunciar publicamente sobre o caso.

Logo no início, Herman assumiu que a opinião que mais o marcou foi a do amigo Bruno Nogueira:
“Acho que a grande opinião, curiosamente, acabou por ser do Bruno Nogueira, quando eu disse que eles foram mal-aconselhados, ninguém lhes disse. Eu adoro os Anjos, são dois trabalhadores incansáveis e duas pessoas estimáveis que se meteram numa coisa complicadíssima e super cansativa. Se eu tivesse conseguido falar com eles antes, diria não façam isso.”

“Efeito Streisand”: Herman recorda exemplo que considera perfeito

Para ilustrar a decisão de não entrar no tema, Herman evocou o famoso episódio da cantora Barbra Streisand:
“A Streisand descobriu a casa dela e avançou com um processo de milhões por invasão de privacidade. O resultado foi meio milhão de visualizações e ela nunca mais teve privacidade. Há coisas que não valem a pena.”

“Preferi pôr a cabeça no cepo”: o peso da amizade

Herman admitiu ainda que, se não tivesse uma ligação afetiva aos irmãos Rosado, teria abordado o caso como tantos outros humoristas fizeram:
“Se eu não conhecesse os Anjos, se estivesse bacteriologicamente puro, tinha pegado no caso e militado nele. Mas qualquer opinião que eu desse ia feri-los tanto que preferi pôr a cabeça no cepo.”

O humorista contou que a decisão não agradou a todos e revelou um episódio curioso:
“Houve cronistas que não me desculparam. O Henrique Raposo ficou ofendidíssimo. Eu tinha obrigação e, talvez, dever, não fosse a ligação emocional àqueles dois manos.”

Um arrependimento antigo que mudou tudo

A conversa recuou aos anos 90, a um momento que Herman ainda hoje lamenta. O humorista recordou quando satirizou João de Deus Pinheiro, antigo ministro e amigo próximo:
“Num dos sketches, gozava-se com o facto de ele ter roubado uma manta da TAP, história completamente inventada. Arrependi-me muito.”

O reencontro, anos depois, deixou marcas:
“Cumprimentaram-me, ambos com o olhar ferido, e obviamente não me desculparam, como eu também talvez não desculpasse.”

Foi esse episódio, confessou, que redefiniu o seu padrão ético:
“Acho que há momentos em que a militância, a amizade e o caráter se devem sobrepor ao nosso orgulho em ter prestígio, opinião e notoriedade.”

“Pedir escusa não é ser desonesto”

Voltando à polémica dos Anjos, Herman reforçou que optar pelo silêncio também é uma forma de integridade:
“Pedir escusa não é ser desonesto. Eu pedi escusa da polémica. E, em alguns casos, deve mesmo fazer-se isso, como fazem alguns juízes. Não posso pegar nesse assunto quando a rapariga envolvida é minha sobrinha.”

“Há alturas em que vale mais preservar a amizade”

A terminar, Herman deixou uma reflexão madura sobre o que mais importa nesta profissão:
“Há alturas em que vale mais preservar a amizade do que alimentar o nosso ego. E aprendi isso à minha custa.”

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