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Em diferentes formatos e plataformas, na televisão, no streaming, nas redes sociais, na horizontal, na vertical – a maneira como consumimos entretenimento vem se transformando, do novelão ao microdrama, com transmissões em tempo real, cortes, melhores momentos, entre outras novidades.
Para discutir o que mudou em termos de engajamento, alcance e distribuição do que assistimos nas TVs, celulares e outros dispositivos, o Innovation Festival 2025 reuniu a diretora de produtos publicitários digitais na Globo, Renata Fernandes, e o CEO da Dia Estúdio, Rafa Dias, que conversaram com a jornalista, roteirista e escritora Rosana Hermann.
Tendo participado da criação do Globoplay, que está completando 10 anos, Renata lembrou que o momento, uma década atrás, era de transformação, graças à democratização do acesso à internet no Brasil proporcionado pelos smartphones e as redes wi-fi.
“Diante de toda essa revolução tecnológica, nos perguntamos para onde isso iria nos levar e começamos a olhar os dados, o que nos permitiu entender melhor o comportamento dos usuários e antecipar alguns dos seus movimentos”, lembra Renata.
Segundo ela, o Globoplay não foi pensado como uma disrupção da TV aberta, mas como um complemento. “Ele criou outra forma de se assistir TV aberta. Hoje, o Globopay está disponível com o sinal da TV dentro do celular, você pode assistir a TV aberta onde estiver.”
Já a Dia TV seguiu um caminho completamente diferente, focando 100% no digital e no trabalho de criadores de conteúdo. A partir de sua experiência na MTV, Rafa Dias começou seu próprio canal no YouTube, entrevistando figuras que já se destacavam nos meios digitais, como Filipe Neto, Whindersson Nunes e PC Siqueira.
“Quando vi que aquelas pessoas, das suas casas, conseguiam atrair uma audiência maior do que a de uma rede de televisão, percebi que ali havia um caminho a ser seguido”, conta o empreendedor, que tem formação em cinema e TV. Assim surgiu o Dia Estúdio, produtora que ajudava os criadores a produzir seus conteúdos.
Hoje, o canal DiaTV conta em sua grade com programas de sucesso como “Diva Depressão”, “De Frente com Blogueirinha” e “Lorelive”, entre outros, atingindo mais de um milhão de dispositivos por dia, segundo seu fundador.
Os criadores têm controle sobre seu negócio, pois cada programa é uma empresa e todas têm a participação da DiaTV. “A gente criou esse modelo fazendo, trocamos a roda com o carro andando. Hoje, acho que esse é o grande diferencial da DiaTV”, avalia Rafa Dias.
Conta também como diferencial o fato de que a maioria dos funcionários do canal nunca trabalhou em uma emissora tradicional. “O que a gente está fazendo não foi feito ainda, porque as pessoas que estão lá nunca fizeram televisão”, afirma.
TEMPO E VERDADE
Para falar sobre como nossa relação com esses dois conceitos se modificou ao longo dos último 10 anos, Fabio Amado e Laura Hauser, trouxeram insights de um estudo foi realizado pelo KES (Knowledge Exchange Sessions), uma plataforma de educação que trabalha com desenvolvimento de lideranças, da qual Laura Hauser é curadora e Fabio Amado, sócio e head de experiência em aprendizagem.
Das oito megatransições abordadas pelo estudo, a dupla do KES abordou duas, tempo e verdade. “Acho que o ponto de conexão entre elas é justamente a nossa relação que mudou, muito por conta do avanço tecnológico”, analisou Amado.
Em relação ao tempo, nossa percepção da falta dele tem repercussões importantes, “A gente é atropelado pelo tempo o tempo todo. E uma das consequências disso é o impacto no futuro. Porque o futuro acontece gradualmente e de repente”, disse Laura, ao detalhar três cenários possíveis:
- Era do “templosion” – é como se o tempo explodisse. Passado, presente, futuro, tudo junto e misturado. Como lidar com o passado, o presente e o futuro acontecendo ao mesmo tempo e esse futuro chegando o tempo todo
- Nostalgia compulsiva – a sensação de que antes o tempo era diferente e vivia-se melhor.
- Pós-imediatismo – uma tentativa de deixar de estar tão conectado e voltar aos momentos de relaxamento e contemplação.
No caso da transformação da nossa relação com o conceito de verdade, o estudo aponta que é fundamental reconhecer que, por conta das ferramentas que às quais temos acesso hoje, qualquer pessoa consegue criar um deepfake com muita qualidade e fidelidade.
“A IA vai reformular tudo, inclusive a nossa definição do que é verdadeiro e o que não é. Nossa relação com a verdade precisa ser repensada. Precisamos colocar no centro da discussão conversas éticas – falar sobre preconceito algorítmico, privacidade, segurança, desinformação – para tentarmos recuperar a confiança nas pessoas e na sociedade como um todo”, completou Amado.
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