“Não poderia deixar de vos dizer algumas palavras sobre os recentes acontecimentos que têm marcado o futebol nacional. Acontecimentos que nos levaram a tomar posições duras, quer publicamente, quer junto dos agentes e das instâncias a quem compete atuar no sentido de assegurar que a indústria do futebol no nosso país funciona dentro de padrões elevados e exigentes”, escreve André Villas-Boas, antes de concretizar.

“Reunimos recentemente com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol e com o presidente do Conselho de Arbitragem, reforçando o nosso pedido de rapidamente ver assegurada uma maior uniformidade de critérios dos árbitros, a implementação da profissionalização desse sector, uma maior coerência na aplicação dos critérios de meritocracia nas nomeações para jogos de maior grau de complexidade”, revela o líder dos dragões.

“Sem particularizar e sempre admitindo que as realidades são dinâmicas, a nossa indignação toma outras proporções perante as tentativas continuadas de dissimular o que são as fragilidades evidentes do sistema de arbitragem em Portugal”, acusa Villas-Boas, estendendo a crítica aos “analistas que parecem ter perdido a vergonha de forma descarada”.

“Sempre com benefício para lances em que os nossos mais diretos rivais são inadvertidamente beneficiados”, concretiza Villas-Boas, antes de abordar a polémica reunião da Comissão Permanente de Calendários da Liga Portugal, que se realizou na quinta-feira.

“Um episódio que reflete bem as ondas de alinhamento que nos tentam desviar do nosso rumo. Incrivelmente e contra uma votação de 2-6, o F. C. Porto vê-se obrigado a jogar na segunda-feira, dia 15 de dezembro, com o Estrela da Amadora, na quinta com o Famalicão, para a Taça de Portugal, e dia 22 com o Alverca. Tudo normal, não fosse o facto de o Sporting ter conseguido convencer os demais presentes a dois dias adicionais de descanso [nos jogos dos leões]. É esta a equidade que é promovida pela Liga depois do famoso episódio sucedido com a marcação do jogo em Arouca”, recorda.

“Uma forma de atuar em que o mesmo clube sai sempre prejudicado e em que as Santas Alianças se revelam despudoradamente. Ainda vamos ver o dérbi de Lisboa terminar com três pontos para cada um”, ironiza o presidente portista. “Caminhamos fortes com o foco no título, sabendo de antemão que as armadilhas vão ser muitas”, termina.