A Airbus emitiu esta sexta-feira um aviso para a necessidade de atualizar de imediato “um número significativo” de aviões da família A320. Em comunicado, a empresa afirma que este aviso ocorre após um incidente com um avião, em que “a radiação solar intensa pode ter causado “corrompido dados críticos para o funcionamento dos controlos de voo”.

A empresa europeia afirma que identificou um “número significativo” de aviões da família A320 que poderão ser impactados. É dito que a empresa “está a trabalhar proativamente com as autoridades de aviação para solicitar medidas cautelares imediatas” aos operadores. É pedido às companhias aéreas que implementem as soluções de “software e/ou proteções de hardware” disponíveis para garantir que a frota está segura para voar. A Airbus reconhece que esta situação “irá levar a disrupções operacionais para os passageiros e clientes”.

Entretanto, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) já emitiu as diretrizes para a atualização, com efeitos a partir deste sábado, 29 de novembro. É indicado neste boletim que “antes do próximo voo”, devem ser “substituídos ou modificados” os computadores ELAC, que controlam os elevadores e ailerons e permitem controlar a inclinação do avião. Esta recomendação determina que serão permitidos os chamados ferry flight, para que se possam deslocar sem passageiros até pontos para manutenção.

A Reuters cita fontes da indústria que referem que este alerta terá sido motivado por uma ação inesperada de reparação necessária a um avião da companhia JetBlue, que voava de Cancun, no México, para Newark, nos EUA, a 30 de outubro. Um incidente a bordo deixou vários passageiros feridos após uma perda acentuada de altitude.

O boletim da agência europeia fala num incidente com uma aeronave A320, mas sem especificar companhias. “Um avião Airbus A320 sofreu recentemente um evento de inclinação descendente não comandada e limitada. O piloto automático permaneceu ativado durante todo o evento, com uma perda breve e limitada de altitude, e o resto do voo decorreu sem incidentes”, diz o boletim. “A avaliação técnica preliminar realizada pela Airbus identificou um mau funcionamento do ELAC afetado como
possível fator contribuinte.”

A Reuters também refere que as alterações aos aviões afetados poderão levar a cerca de duas horas em terra, citando fontes da indústria. A agência especifica que há 11.300 aviões da família A320 em operação, incluindo 6.440 modelos A320.

O site da Airbus refere que a família A320 é composta por vários modelos, que variam consoante a capacidade de passageiros. A família A320 inclui os modelos A319neo, A320neo, A321neo e o A321XLR.

Esta situação deverá afetar várias companhias aéreas. Segundo o seu site, a companhia portuguesa TAP tem vários modelos desta família na frota, incluindo o A320-200neo e o A320-200. “Estamos a acompanhar a situação, como sempre tendo como prioridade máxima a segurança dos nossos passageiros e tripulações”, diz fonte da TAP ao Observador.

Começam a ser conhecidos os impactos em várias companhias aéreas. A norte-americana American Airlines é quem tem a maior frota destas aeronaves da Airbus, com 480 aviões. À Reuters, a companhia detalhou que terá de atualizar cerca de 340 aviões. A empresa espera concluir os trabalhos ainda sábado, estimando demorar cerca de duas horas em cada um.

A Delta Airlines declarou que irá cumprir com as instruções, mas que espera impactos “limitados” na operação.

A Lufthansa emitiu uma atualização aos clientes, declarando que foi informada “sobre potenciais questões de software que afetam as aeronaves da família A320”. “A segurança é sempre a nossa principal prioridade. Tal como todas as companhias aéreas afetadas em todo o mundo, cumpriremos rigorosamente todos os requisitos do fabricante e das autoridades e já começámos a implementar as medidas prescritas pela Airbus”, explicou a companhia. A companhia admitiu constrangimentos nas operações. “Como estas verificações podem demorar várias horas por avião, um pequeno número de voos poderá ser atrasado ou cancelado durante o fim-de-semana.”

A colombiana Avianca indicou que a alteração terá de ser feita “a mais de 70% da sua frota”, cerca de 100 aviões. Numa nota no seu site,  avança que “devido a uma atualização de software exigida pelo fabricante a uma significativa porção da frota, as operações vão ser significativamente impactadas entre 29 de novembro e 8 de dezembro”. A empresa espera disrupções ao longo de dez dias e, por isso, “encerrou a venda de bilhetes para viagens até 8 de dezembro, inclusive, para evitar um impacto maior e facilitar a reacomodação de passageiros nos voos disponíveis”.

A EasyJet, que também tem vários aviões A320, publicou uma nota no seu site, em que quer “tranquilizar os clientes ao reforçar que a segurança é sempre a nossa maior prioridade e que a nossa frota opera em estrita conformidade com as diretrizes do fabricante”. “Uma alteração de software está a ser implementada na nossa família A320 e, caso haja alterações no nosso horário de voos, iremos informá-lo sobre as suas opções por e-mail, SMS e no Flight Tracker.”

Já numa declaração em resposta ao Observador, é referido que “a easyJet já iniciou e concluiu a atualização do software em praticamente todas as aeronaves que assim o exigiam”. “A companhia aérea continuará a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades de segurança para garantir a máxima conformidade.” A empresa prevê “operar o seu seu programa de voos com normalidade no sábado, dia 29 de novembro, e solicita a todos os passageiros continuem a monitorizar os seus voos no ‘flight tracker’ para obterem as informações mais atualizadas”.