Por alguns dias, uma simples fatia de salame virou uma imagem de uma estrela. Tudo não passou, é claro, de uma brincadeira. A situação, ocorrida no ano de 2022, foi criada por Étienne Klein, físico e diretor da Comissão Francesa de Energia Atômica, que publicou no X (antigo Twitter) uma foto que, segundo ele, mostrava Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, localizada a 4,2 anos-luz da Terra. A imagem, atribuída ao telescópio espacial James Webb, rendeu milhares de curtidas entre seus 92 mil seguidores.

Mas a “estrela” não era de fato uma estrela. Era salame ibérico, fotografado sobre um fundo preto.

Klein acompanhou a postagem com uma legenda bastante convincente: “Foto de Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, localizada a 4,2 anos-luz de nós. Foi capturada pelo James Webb.” O tom sério da publicação e o prestígio do telescópio fizeram muitos usuários acreditarem na autenticidade da imagem.

Com a repercussão crescente, o cientista decidiu esclarecer a situação e pedir desculpas. Ele revelou que a postagem era uma piada, criada para provocar reflexão sobre a credibilidade dos inúmeros “especialistas” que surgem nas redes sociais comentando sobre os mais variados temas.

“Diante de alguns comentários, sinto-me obrigado a esclarecer que este tuíte que mostra uma suposta foto da Proxima Centauri foi uma forma de diversão. Vamos aprender a desconfiar tanto dos argumentos de autoridades quanto da eloquência espontânea de certas imagens” declarou, segundo uma matéria da Forbes.

O caso aconteceu em um momento em que várias imagens impressionantes captadas pelo telescópio James Webb vêm sendo divulgadas ao redor do mundo. Com um custo de 10 bilhões de dólares, o Webb sucede o Hubble e se tornou o instrumento espacial mais poderoso já construído, capaz de registrar detalhes inéditos do universo. 

Conforme informações disponibilizadas pela NASA em seu site, o James Webb investiga as diferentes etapas da história do Universo — dos primeiros brilhos que surgiram após o Big Bang à formação de sistemas solares capazes de abrigar vida, passando também pela evolução do nosso próprio Sistema Solar. Lançado em 25 de dezembro de 2021, ele não orbita a Terra como o Telescópio Espacial Hubble. Em vez disso, circula ao redor do Sol a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, na posição conhecida como segundo ponto de Lagrange, ou simplesmente L2.

O Webb é fruto de uma colaboração internacional que reúne a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadense (CSA). O desenvolvimento do projeto foi conduzido pelo Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA, enquanto a Northrop Grumman atuou como principal parceira industrial. Após o lançamento, as operações do telescópio ficaram a cargo do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial. Ao todo, milhares de cientistas, engenheiros e técnicos, distribuídos por 14 países, participaram do projeto, construção, testes, integração, lançamento, comissionamento e operação do Webb.


Giovanna Gomes

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.