Do Cazaquistão ao cosmos, uma nova tripulação partiu em direção à Estação Espacial Internacional (ISS) para celebrar um marco histórico: um quarto de século com humanos vivendo continuamente no espaço. A bordo da nave Soyuz MS-28 seguem três tripulantes — dois russos e um americano — que permanecerão cerca de oito meses em órbita realizando pesquisas científicas e testes tecnológicos. O lançamento reforça a cooperação entre Rússia e Estados Unidos mesmo em meio a tensões geopolíticas globais.
Missão Soyuz MS-28: um voo marcado pela data histórica
© Blue Origin
O foguete Soyuz 2.1a deixou a base de Baikonur às 14h27 (horário local), levando a cápsula MS-28 para uma trajetória rápida: apenas duas voltas ao redor da Terra antes do acoplamento ao módulo russo Rassvet, três horas e seis minutos depois. O americano Chris Williams estreia em seu primeiro voo espacial; Sergei Mikaev também sobe pela primeira vez. Kud-Sverchkov, mais experiente, voa pela segunda vez.
A Estação Espacial Internacional, cooperativa entre múltiplos países, receberá agora dez tripulantes ativos trabalhando em experimentos científicos, manutenção e operações de rotina.
Quem está a bordo — e quem já aguardava no espaço
Após o acoplamento, o trio se juntará a outros sete profissionais já instalados em órbita: os astronautas da NASA Mike Fincke, Zena Cardman e Jonny Kim; o japonês Kimiya Yui, representante da agência espacial JAXA; além dos russos Sergei Ryzhikov, Alexei Zubritsky e Oleg Platonov.
Zubritsky, que registrou o lançamento da Soyuz desde o espaço, publicou a imagem celebrando a chegada dos colegas. O clima é de marco histórico e continuidade operacional, com foco científico e intercâmbio tecnológico.
25 anos de presença humana contínua no espaço
O lançamento acontece exatamente no ano em que se completam 25 anos da primeira tripulação permanente da ISS, em 2000, quando Yuri Guidzenko, Sergei Krikaliov e Bill Shepherd iniciaram a ocupação contínua do laboratório orbital. Desde então, quase 300 pessoas de 26 países já passaram pela plataforma, incluindo turistas, cientistas e até atores.
A ISS é o maior projeto de cooperação espacial da história moderna, reunindo 16 países e resistindo inclusive às tensões causadas pela guerra na Ucrânia. A troca de tripulantes entre Rússia e Estados Unidos — o chamado cross-flight agreement — continua ativa desde 2022.
Experimentos, caminhadas espaciais e… inteligência artificial
Durante os 242 dias em órbita, a Expedição 74 deve realizar mais de 40 experimentos científicos conduzidos pelo segmento russo, além de duas caminhadas espaciais. A inovação desta missão está no uso do sistema de IA GigaChat, desenvolvido na Rússia e liberado por ordem direta do presidente Vladimir Putin.
A ferramenta será utilizada para gerar relatórios, cruzar bases de dados e agilizar procedimentos operacionais — marcando a primeira vez que inteligência artificial russa auxilia diretamente atividades na ISS.
Um posto orbital que superou expectativas
Projetada inicialmente para durar 15 anos, a Estação Espacial Internacional prova sua resiliência ao alcançar um quarto de século com ocupação ininterrupta. O laboratório serve como teste vivo da capacidade humana de adaptação ao espaço profundo e segue sendo campo essencial para futuras missões à Lua e, no horizonte, a Marte.
Com a Soyuz MS-28 acoplada e o novo trio integrado à rotina orbital, a cooperação científica permanece como um dos poucos pontos de contato firmes entre Moscou e Washington — lembrando que, no espaço, fronteiras se tornam infinitas.
[ Fonte: Infobae ]