Pelo menos 13 pessoas morreram na sequência de uma intervenção militar israelita numa aldeia no sul da Síria, na sexta-feira, 28, noticiaram os meios de comunicação estatais. O incidente, que incluiu ataques aéreos, é um dos mais mortíferos dos últimos meses. De acordo com o Governo sírio, há crianças entre os mortos, avançou a BBC.
Os residentes da aldeia de Beit Jinn “enfrentaram” as tropas israelitas, o que precipitou um tiroteio, informou a agência noticiosa árabe SANA. O ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Hamza Al Mustafa, condenou aquilo que descreveu como um “crime de guerra” por parte de Israel.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) relataram que as suas tropas entraram na aldeia, na orla dos montes Golã ocupados, para deter militantes do grupo islamista Yama Islamiya que, segundo Israel, “preparavam ataques terroristas contra civis israelitas”.
Seis soldados israelitas ficaram feridos nos confrontos, três deles com gravidade, acrescentou o exército.
O Governo sírio afirma tratar-se de uma tentativa declarada de provocar um conflito aberto na região, avançou este sábado a agência espanhola Europa Press.
Israel, em desrespeito por acordos de não agressão entre os dois países, ocupa há meses posições militares na Síria, onde opera com total liberdade contra o que descreve como grupos terroristas que ameaçam a sua segurança fronteiriça, informa a agência.
Cegado por uma “lógica de arrogância e poder”, diz Al-Mustafa, “Israel está a tentar provocar o Estado sírio através de incursões militares. A Síria, explicou, encontra-se numa posição que “não permite ao país chegar onde Israel quer com estas provocações”.
“Apelamos aos meios de comunicação árabes e estrangeiros para que cubram esta agressão, dêem destaque a esta região e transmitam ao mundo a firmeza do seu povo, além de evidenciarem a sua solidariedade com o Estado”, acrescentou.
Para Mustafa, Israel quer “arrastar” Damasco para um conflito, aproveitando um momento extraordinariamente delicado para o país, que derrubou a dinastia de Assad há sensivelmente um ano.
A Síria é actualmente liderada pelo Presidente Ahmed al Shara, ex-líder do grupo rebelde Hayat Tahrir al Sham (HTS), responsável pela queda do regime de Bashar al-Assad, a 8 de Dezembro de 2024. Sharaa tem feito repetidos esforços por uma abertura diplomática do país ao Ocidente, e não só, sendo um dos momentos mais marcantes desse esforço diplomático a sua visita à Casa Branca, a 10 de Novembro.
A Yama Islamiya, grupo islamista fundado nos anos 1960 como ramo libanês da Irmandade Muçulmana, participou em conjunto com o Hezbollah — cujo líder foi morto por Israel a 23 de Novembro — e grupos de rebeldes palestinianos em ataques contra Israel na sequência do conflito desencadeado após os ataques de 7 de Outubro de 2023, que deram origem à invasão israelita em larga escala da Faixa de Gaza.
Israel bombardeou Damasco no último Verão, durante a crise na província síria de Al-Suwaidaa, em que morreram centenas de civis.