João Cotrim Figueiredo, candidato à Presidência da República, denunciou o trabalho feito por empresas de sondagens com recurso a testemunhos que dão conta de que o seu nome não surge nos inquéritos. O ex-presidente da IL já tinha criticado a última sondagem da SIC/Expresso — que o colocou nos 3% —, quando dias antes, numa pesquisa de outra empresa, surgia com 11,5% à frente de António José Seguro.

Nas redes sociais, Cotrim publicou uma mensagem que denuncia que o seu nome está a ser excluído das perguntas feitas no barómetro. “Ao ser abordada para uma sondagem via telefone, qual não foi o meu espanto quando apenas me davam quatro opções de escolha, fosse numa primeira fase, fosse na segunda”, começa por contar a cidadã que reportou o sucedido, acrescentando que o inquérito se iniciou com uma pergunta sobre se “já tinha a certeza em quem ia votar” e prosseguiu para o seguinte: “Se fosse naquele momento em quem votava: Luís Marques Mendes, Henrique Gouveia e Melo, André Ventura ou António José Seguro.”

“Eu respondi que estava indecisa e precisamente um dos nomes da minha indecisão, estranhamente, não estava a ser colocado como hipótese. Mas assim continuou o inquérito. Na segunda volta a pergunta incluía várias opções, mas somente os mesmos quatro nomes. Dadas as opções, fui ‘obrigada’ a indicar sempre o mesmo nome, não me sendo dada a hipótese de indicar o João Cotrim Figueiredo”, explica a mensagem partilhada nas redes sociais do candidato apoiado pela IL. No mesmo contacto, a pessoa em causa refere que o nome de Cotrim apenas foi indicado “num barómetro de 0-10 quem era mais à esquerda ou direita”.

No seguimento da denúncia de Cotrim, em resposta à história que partilhou no Instagram, outros seguidores denunciaram exatamente a mesma experiência, revelando que também só tinham os quatro nomes já referidos entre as opções de escolha. Perante os testemunhos, o candidato presidencial que é eurodeputado eleito pela IL resumiu: “As sondagens são como as salsichas. Quando se vai ver como são feitas não é nada bom.”

Já depois da última sondagem para a SIC e Expresso, Cotrim mostrou-se indignado, adjetivando a sondagem como “absolutamente inacreditável“, sublinhando que o resultado é “inferior ao que tinha nas sondagens antes de anunciar a candidatura”. “Das duas uma: enganaram-se sem querer ou enganaram-se de propósito. Se foi sem querer é grave porque é incompetência, não seria impossível porque esta empresa de sondagens sempre subestimou os meus resultados, a três semanas do ato eleitoral das europeias deram-me menos de metade do resultado que efetivamente tive; e se é de propósito, pior ainda, é para gerar um clima de favorecimento ao voto útil em alguma candidatura?”, referiu.

Sobre a mesma sondagem, ainda deixou uma pergunta no ar: “Não será isto manipular a opinião dos portugueses?”