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A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) causou mais de 1 milhão de internações, entre 2018 e 2023, e hoje é uma das principais causas de morbidade crônica e mortalidade no Brasil.

O tratamento dessa doença – que hoje acomete de 13 a 15 milhões de brasileiros – está em pauta no Ministério da Saúde, que trabalha na atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). A proposta é migrar o tratamento para a chamada terapia tripla no Sistema Único de Saúde (SUS), alinhada às diretrizes da GOLD (Global Iniciative for Chronic Obstruticve Lung Disease), principal referência mundial para diagnóstico e manejo da DPOC.

Quando implementada, a atualização representará um avanço na modernização do cuidado ao paciente no SUS, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). A entidade promoveu um evento (foto) sobre o tema em São Paulo, em 18 de novembro, reunindo especialistas da entidade, jornalistas, influenciadores, representantes de entidades de saúde e da indústria farmacêutica.

A SBPT também aproveitou para reforçar sua campanha “A vida está no ar”, lançada neste ano, que desmistifica a ideia de que o pneumologista só deve ser procurado em casos graves, mas incentiva procurar esse especialista de maneira regular, preventiva e integrada ao dia a dia. A campanha tem o apoio das farmacêuticas GSK, Bayer, Sanofi, AstraZeneca, Boehringer Ingelheim, MSD, Vertex e Chiesi.

“Temos a missão de levar o conhecimento sobre as pesquisas que fazemos sobre doença para a sociedade como um todo e esse é o tema da campanha. Queremos prevenir e tratar as pessoas que têm limitações decorrentes da DPOC”, afirmou o presidente da SBPT, Dr. Ricardo de Amorim Corrêa. A entidade tem uma série de iniciativas, projetos e parcerias para melhorar o diagnóstico e o tratamento de doenças respiratórias.

Novo protocolo para tratamento de DPOC

O processo de atualização do PCDT contou com consultas públicas (a mais recente realizada em junho de 2025) e prevê a recomendação de novas tecnologias e medicamentos mais modernos para o manejo de DPOC.

O pneumologista, consultor e membro do Conselho fiscal da SBPT, Dr. Frederico Fernandes, explicou para a reportagem do Guia da Farmácia durante o evento, que o processo do PCDT segue uma série de trâmites. Na fase atual, o Ministério da Saúde está elaborando o relatório final que será publicado no Diário Oficial e que servirá de base para as secretarias estaduais de saúde elaborarem mapas técnicos para implantação do novo protocolo.

Segundo ele, a expectativa é que no final de primeiro semestre de 2026 o PCDT seja publicado e os medicamentos estejam disponíveis no SUS.

Terapia tripla

A terapia tripla prevista no PCDT não é nova, pois as medicações já existem no país. No entanto, representa uma novidade no âmbito do SUS.

Como funciona? Segundo o coordenador da Comissão de DPOC da SBPT, Dr. Roberto Stirbulov, ela combina dois broncodilatadores de ação prolongada e um corticoide inalatório em um único dispositivo, por isso é chamada de tripla.

Atualmente, no SUS, os broncodilatadores são oferecidos separadamente e os corticoides inalatórios estão disponíveis no programa Farmácia Popular. “Assim, hoje o paciente consegue fazer a chamada terapia tripla aberta. O que a SBPT propõe agora é a tripla fechada, com apenas um medicamento”, explica Stirbulov.

O Dr. Frederico Fernandes destaca que a principal vantagem é a simplificação do tratamento: “Em vez de usar três medicamentos com técnicas diferentes de inalação, o paciente passa a usar apenas um. Isso melhora a aderência ao tratamento.”

Ele lembra que os tratamentos para DPOC envolvem diversos dispositivos, cada um com técnicas específicas, como, por exemplo, os sprays em névoa, que exigem respiração lenta e o uso de espaçador ou da popular “bombinha”. Já os inaladores de pó seco requerem inspiração rápida e uso de dispositivos como cápsula, Diskus ou Ellipta.

O que é DPOC?

De acordo com a SBPT, a DPOC engloba o enfisema pulmonar e a bronquite crônica, afetando cerca de 10,1% da população e 15,8% dos adultos acima de 40 anos na cidade de São Paulo.

A doença é mais comum em pessoas acima de 50 anos – embora os especialistas comecem a alertar para o aumento de diagnósticos em faixas etárias mais jovens –, e está relacionada principalmente ao tabagismo e a inalação de outras fumaças, poluição, poeira e produtos químicos, além de fatores como prematuridade e baixa função pulmonar no início da vida adulta.

Entre os sintomas estão: falta de ar, tosse crônica e produção de muco. Esses sinais necessitam de avaliação de pneumologista e de confirmação pelo exame de espirometria.

A DPOC é progressiva e pode limitar várias atividades cotidianas, afetando a qualidade de vida.

Foto: Divulgação SBPT

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