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Em meados do século XVIII, Nicola Andrea Passalacqua instalou-se na ilha da Madeira com a mulher, Cecilia, e o filho Paolo. A família italiana deixou para trás a sua casa, na então República de Génova, para passar a viver no Funchal, onde Paolo arranjou emprego como tesoureiro na alfândega do Funchal. Lá, casou-se com a madeirense Rosa Maria Telo de Menezes e, na geração seguinte, o apelido italiano entrou em Portugal numa versão adaptada: Passaláqua. Agora, cerca de 250 anos depois, a julgar pela generalidade das sondagens, um tetraneto de Paolo e Rosa — Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo — poderá tornar-se o próximo Presidente da República.
A poucas semanas das eleições presidenciais, as únicas em que os eleitores são chamados a escolher uma pessoa concreta e não um partido ou um movimento político, o Observador traçou a árvore genealógica dos principais candidatos presidenciais para conhecer a história familiar de cada um. Através de uma parceria com a Associação Portuguesa de Genealogia, que desenvolveu a investigação histórica e científica, foi possível recuar vários séculos para descortinar a sucessão de acasos históricos e familiares que conduziram ao nascimento de cada um dos candidatos.
No caso de Henrique Gouveia e Melo, foi possível recuar até ao século XVII e documentar cerca de uma centena de ascendentes diretos, cuja memória permite reconstituir o percurso de uma família com grande dispersão geográfica. Além do apelido vindo diretamente de Itália, há todo um ramo em Angola e presença familiar em vários pontos de Portugal continental e ilhas. Foram encontrados vários cruzamentos entre pessoas de diferentes estratos sociais — do mais humilde camponês ao nobre com brasão de armas. E até referências com relevo para a vida profissional de Gouveia e Melo — um oficial da Marinha Mercante e um general de sucesso.
A árvore genealógica de Gouveia e Melo revela, também, uma série de relações familiares inesperadas: na família alargada do almirante encontramos figuras de destaque como um antigo diretor da Casa da Moeda, o grande impulsionador do Espiritismo no país, músicos célebres e até ligações familiares a alguns dos seus mais famosos primos, que incluem dois dos seus adversários nas presidenciais e até, por via do ramo madeirense, Cristiano Ronaldo. Navegue pela árvore genealógica do almirante para descobrir as histórias que se escondem por trás de quatro séculos de linhagem familiar.
Foi possível identificar vários antepassados de Gouveia e Melo nascidos no século XVII — o período histórico mais recuado a que conseguimos chegar.
O mais antigo antepassado do almirante que foi possível identificar pelo nome nasceu há 400 anos, por volta do ano 1625. (Também foi possível identificar um casal de nonos avós, ou seja, uma geração acima, mas que nasceram mais tarde.)
Trata-se de Domingos João, oitavo avô de Gouveia e Melo.
Não se sabe muito sobre este homem sem apelido, que viveu em Oliveira do Conde, povoação do concelho de Carregal do Sal (distrito de Viseu).
Chegamos até ele seguindo aquilo a que os genealogistas chamam “linha masculina pura” — ou seja, procurando sempre o pai do pai do pai e por aí adiante. Cientificamente, encontramos nesta linha a transmissão ininterrupta do cromossoma Y.
Do casamento de Domingos João com Catarina Francisca nasceu António João, sétimo avô de Gouveia e Melo.
António João casou-se em 1680 com Ana Francisca em Lajeosa do Dão, povoação a alguns quilómetros a norte de Oliveira do Conde, onde o casal se fixou.
Nas décadas seguintes, este ramo familiar continuou a viver em Lajeosa do Dão. Curiosamente, ao longo de algumas gerações, esta família permaneceu sem apelido.
É preciso avançar mais de um século para encontrar pela primeira vez um apelido neste ramo: Vieira. Cristóvão Vieira, quarto avô de Gouveia e Melo, recebeu este apelido da parte da família da sua mãe.
Duas gerações depois, porém, o apelido Vieira foi substituído pelos mais sonantes Melo Borges e Castro, após o casamento do trisavô Leandro com D. Ana Amália de Melo Borges e Castro — que já teria ascendência real.
O apelido Melo haveria, depois, de chegar ao almirante e candidato presidencial.
Apesar de conhecermos o candidato, sobretudo, pelos apelidos Gouveia e Melo, a verdade é que há toda uma história internacional que se esconde por trás do seu apelido menos conhecido: Passaláqua.
Trata-se de um apelido que o almirante recebeu da parte da sua mãe, Maria Helena Pereira Passaláqua — e que tem origem na Itália.
Mais concretamente, em Génova. Foi naquela república da península italiana que nasceu, em 1720, Nicola Andrea Passalacqua, quinto avô de Gouveia e Melo.
Em meados do século XVIII, Nicola Andrea Passalacqua mudou-se de Génova para a ilha da Madeira.
Antes disso, ainda em Génova, casou-se com Cecilia Cesare, de quem teve um filho: Paolo Maria Passalacqua.
Com a chegada da família ao Funchal, o nome do filho terá sofrido um aportuguesamento para Paulo Maria Passaláqua — a origem do apelido do almirante.
Na Madeira, Paulo Maria Passaláqua trabalhou como tesoureiro na Alfândega do Funchal. Os registos da época ainda guardam a assinatura deste tetravô de Gouveia e Melo nos livros com as entradas e saídas de dinheiro da Alfândega.

Em 1779, Paulo Maria Passaláqua casou-se na Sé do Funchal com Rosa Maria Telo de Menezes, de quem teve, quatro anos depois, um filho batizado em homenagem ao avô: Nicolau Maria Passaláqua.
Já idoso, em 1850, Nicolau Maria Passaláqua teve um filho com D. Constantina Vieira Cabral, natural do Funchal.
Esse filho, Viriato Zeferino Passaláqua, foi inicialmente batizado como filho de pais incógnitos na Sé do Funchal.

Só aos dez anos foi reconhecido como filho de Nicolau e Constantina — depois de os seus pais terem casado de urgência, por Nicolau, de 77 anos, estar em perigo de vida.

Viriato Zeferino Passaláqua é um dos mais notáveis antepassados de Gouveia e Melo.
Logo na juventude, Viriato entrou para o Exército, onde fez uma longa carreira militar até chegar ao posto de General de Brigada.

Entre o final do século XIX e o início do século XX, Viriato Zeferino Passaláqua ocupou importantes cargos na província ultramarina de Angola, incluindo os de governador provincial do Namibe e de governador de Benguela.
Ao mesmo tempo, Viriato foi um dos principais pioneiros do Espiritismo em Portugal.
Profundamente interessado pelos textos bíblicos, aproximou-se do Movimento Espírita, doutrina religiosa nascida em França no século XIX, que sobrepõe elementos do Cristianismo e ideias reencarnacionistas — e que encontraria, posteriormente, grande popularidade no Brasil.
Viriato Passaláqua presidiu ao primeiro Congresso Espírita Português, em maio de 1925, e lançou as bases para a criação da Federação Espírita Portuguesa — instituição que ainda hoje congrega os espíritas portugueses. Nesse congresso, como orador, apresentou duas teses: uma sobre espiritualismo e espiritismo e outra sobre “loucura espírita”.
Durante a sua passagem por Angola, Viriato Passaláqua casou-se com Mariana da Conceição Anapaz, nascida em Luanda.
Deste casamento nasceu, em 1895, ainda em Luanda, Eduardo Virgílio Zeferino da Conceição Anapaz Passaláqua — o avô materno de Henrique Gouveia e Melo.
Depois do bisavô com uma influente carreira militar, também este avô poderá ter ajudado a moldar o futuro do almirante Gouveia e Melo: Eduardo Virgílio passou a sua vida nos mares, como oficial da Marinha Mercante.
Nascido em Angola, Eduardo Virgílio mudar-se-ia, mais tarde, para a metrópole. Em 1926, casou-se com Maria Gabriela Alcobia Soares da Silva Pereira, com quem teve uma filha em junho de 1934: Maria Helena Pereira Passaláqua, a mãe de Gouveia e Melo.
Mas voltemos a subir neste ramo da família de Gouveia e Melo.
Lembra-se de D. Constantina Vieira Cabral, a madeirense que se casou com Nicolau Maria Passaláqua e com quem teve o filho Viriato?

Vale a pena subir pela árvore dos ascendentes de D. Constantina, uma família que encontramos sempre na ilha da Madeira.
Cinco gerações acima, chegamos a Francisca de Viveiros, que nasceu no lugar de Poço do Gil, em Machico, por volta do ano 1680.
Francisca de Viveiros casou-se em 1703 com Manuel Fernandes e, através desse casamento, gerou uma sucessão de descendentes que chega até Gouveia e Melo.
Porém, Francisca não casou apenas uma vez: terá casado novamente, agora com Manuel Nunes. E esse outro casamento deu origem a toda uma outra sucessão de descendentes.
Esse ramo liga Gouveia e Melo ao madeirense mais famoso do mundo.
Por via desse casamento, Francisca de Viveiros, que é oitava avó de Gouveia e Melo, é também ascendente de outra figura bem conhecida dos portugueses, por duas vias: nona avó por um ramo e sétima avó por outro.
Isto porque dois dos filhos de Francisca de Viveiros no segundo casamento, José e João, são ascendentes de Cristiano Ronaldo, uma vez que algumas gerações depois, em 1914, houve um casamento entre dois primos afastados: Sofia Fernandes Ribeiro (descendente de José) e José Nunes de Viveiros (descendente de João).
Desse casamento nasceu José Nunes Viveiros, pai de Dolores Aveiro e avô materno de Cristiano Ronaldo.
Mas a árvore genealógica de Henrique Gouveia e Melo conta muitas outras histórias.
Reparemos, por exemplo, naquilo a que os genealogistas chamam “linha feminina pura”, que se encontra procurando a mãe da mãe e por aí em diante.
Seguindo essa linha, chegamos até Rita Angélica, quinta avó de Gouveia e Melo, nascida em Santarém por volta do ano 1775. É a antepassada mais recuada a que é possível chegar através desta via.
Rita Angélica casou-se por volta do ano 1800, em Santarém, com Diogo da Silva, com quem teve vários filhos.
Logo no princípio do século XIX, a família mudou-se para Lisboa, onde nasceu uma das suas filhas, Maria José da Silva.
Em Lisboa, Maria José da Silva casou-se com o pintor Luís José de Lima. Entre os filhos deste casal contam-se Maria Amália da Silva de Lima, trisavó de Gouveia e Melo…
…mas também Casimiro José de Lima, que na juventude estudou desenho, pintura e escultura — e que começou a trabalhar como gravador na Casa da Moeda, instituição de que se tornaria diretor em 1906.

Em 1862, Maria Amália casou-se com o estofador Ernesto José Alcobia, oriundo de uma família com fortes ligações à música.
O seu pai, por exemplo, era o violinista José Maria Alcobia, que a dada altura chefiou a orquestra do Teatro D. Maria II, enquanto o seu avô era o cantor barítono Francisco José Alcobia.
Do casamento entre Maria Amália e Ernesto nasceu, em 1873, Gertrudes Laura de Lima Pereira — que casou aos 25 anos com Isidro Soares da Silva Pereira. Estes foram os bisavós do almirante.
Desta relação, nasceria Maria Gabriela Alcobia Soares da Silva Pereira — a avó de Gouveia e Melo, que se viria a casar com o oficial da Marinha Mercante Eduardo Passaláqua, avô do almirante.
Ainda há dois ramos da árvore genealógica de Gouveia e Melo que vale a pena explorar: os que lhe trouxeram os dois apelidos pelos quais o conhecemos.
Neste ramo, é possível recuar quase 400 anos, até meados do século XVII, e viajar até Paranhos da Beira, em Seia, para encontrar João Ferrão de Gouveia, oitavo avô do almirante.
Os registos mostram que João Ferrão de Gouveia se casou em 1677, em Paranhos da Beira, com Ana Álvares.
Esta família manteve-se naquela freguesia durante três gerações.
A neta daquele casal, D. Paula Maria de São Pedro e Gouveia, ainda nascida em Seia, vai mudar-se para Mortágua, na sequência do seu casamento com Manuel Ferreira Frias, natural de Santa Comba Dão e estabelecido naquela vila.
Manuel Ferreira Frias chegou a ser Capitão-Mor de Mortágua — ou seja, o principal responsável militar da povoação.
Deste casamento nasceu, em 1754, João Ferreira de Frias e Gouveia. Bacharel em Cânones (estudos de Direito Canónico, que antecederam os atuais cursos de Direito) pela Universidade de Coimbra, João seria, tal como o seu pai, Capitão-Mor de Mortágua.
Foi nesta geração que a família ganhou estatuto de nobreza: em 1792, a Rainha D. Maria I concedeu a João Ferreira de Frias e Gouveia a carta de brasão de armas para as famílias Frias e Gouveia.

Nas gerações seguintes, a família Gouveia mantém-se em Mortágua — concretamente no lugar do Barril.
João Ferreira de Frias e Gouveia casou-se em 1793 com D. Maria Máxima de Carvalho e Sousa, natural de Arganil.
Três gerações depois, encontramos uma trineta deste casal: Maria Sância de Gouveia Henriques Gomes, nascida ainda no lugar do Barril, em Mortágua.
Trata-se da avó paterna do almirante. Casou-se com Álvaro de Melo Borges, natural de Viseu — e foi este casamento que deu origem à junção dos dois apelidos (Gouveia e Melo) pelos quais conhecemos o candidato.
Mas, antes de explorar o ramo dos Melos, vale a pena voltar a subir no ramo dos Gouveias e regressar ao casamento de João Ferreira de Frias e Gouveia com D. Maria Máxima de Carvalho e Sousa.
Olhando para os antepassados de D. Maria Máxima, é possível subir várias gerações — numa família que se manteve sempre em Arganil — até encontrar os seus bisavós, Maria das Neves e Simão das Neves, nascidos no final do século XVII naquela povoação.
Maria e Simão tiveram uma filha, Maria das Neves, que nasceu por volta de 1720 e que é sétima avó de Henrique Gouveia e Melo.
Porém, aquele casal teve mais filhos. Outra filha, Bebiana das Neves, nascida por volta do ano 1725, deu origem a todo um outro ramo familiar.
Durante cinco gerações, os descendentes de Bebiana das Neves mantiveram-se em Arganil.
Já no final do século XIX, encontramos Joaquina Dias, tetraneta de Bebiana. Ainda nasceu em Arganil, mas mudou-se para Lisboa, onde se casou com Manuel Ferreira dos Santos.
Os descendentes deste casal manter-se-iam na Grande Lisboa. Foi na capital que nasceu, em 1956, uma bisneta de Joaquina e Manuel: Ana Maria da Cruz Claro.
Ana Maria casou-se em 1977 com João Manuel dos Santos Ventura, com quem teve um filho em 1983: André Ventura, líder do partido Chega e adversário de Gouveia e Melo nas presidenciais de 2026.
Esta árvore comum a Gouveia e Melo e a Ventura revela ainda uma outra ligação familiar: ambos os candidatos são parentes, através de Simão das Neves, do político e historiador dos séculos XVIII e XIX José Acúrsio das Neves, destacado miguelista que morreu na zona de Arganil durante a guerra entre absolutistas e liberais.
Falta ainda explorar a origem do apelido Melo, que chegou ao almirante pelo avô paterno.
Neste caso, também é possível recuar até à primeira metade do século XVII para encontrar a mais antiga antepassada de Gouveia e Melo com este apelido: Maria do Amaral e Melo, nascida por volta de 1645 na freguesia de Cunha Alta, em Mangualde.
Maria do Amaral e Melo casou-se com Jerónimo do Amaral Gouveia — mera coincidência, já que este Gouveia não tem qualquer relação com o apelido que há de chegar ao almirante.
A filha deste casal, Mariana Micaela de Melo, casou-se com o juiz Miguel Borges Tavares de Castro, com quem teve uma filha, Rosa Luísa de Melo Borges e Castro.
O apelido continuou a ser transmitido por via feminina para a filha de Rosa Luísa com Luís Xavier de Azevedo: Mariana Vitória de Melo Borges e Castro, nascida em 1737 já em Carregal do Sal.
Mariana Vitória casou-se com José de Almeida Loureiro, com quem teve uma filha em 1776: D. Ana de Melo Borges e Castro.
Já em 1813, D. Ana de Melo Borges e Castro teve uma filha de pai desconhecido. A criança foi deixada na chamada “roda dos expostos” em Tondela, um antigo sistema para abandonar filhos e os deixar ao cuidado de instituições de caridade ou da Igreja Católica.

Esta filha, D. Ana Amália de Melo Borges e Castro, foi batizada em Tondela — onde viria, mais tarde, a conhecer o já referido Leandro Vieira da Silva, com quem se casou e de quem teve um filho, António de Melo Borges e Castro.
Do casamento de António de Melo Borges e Castro com Gracinda Augusta Pais Soares, natural de Silgueiros, em Viseu, viria a nascer em 1876 o avô paterno de Gouveia e Melo, Álvaro de Melo Borges. Álvaro ainda chegou a ser registado como filho de pai incógnito, mas foi depois reconhecido pelo seu pai.
Vale também a pena determo-nos nos bisavós de Gouveia e Melo: já conhecemos os ascendentes de António de Melo Borges e Castros, mas os de Gracinda Augusta Pais Soares levam-nos a outra relação familiar curiosa.
Gracinda nasceu por volta de 1850 na freguesia de Silgueiros, em Viseu.
Subindo pela árvore dos seus antepassados, sempre naquela freguesia, chegamos ao seu trisavô Manuel Fernandes, um padre nascido por volta de 1705 que teve uma relação com Joana de Figueiredo.
Este sacerdote era filho de Manuel Fernandes e de Maria Lourença, ambos nascidos no final do século XVII.
O casal teve outros filhos além do sacerdote, incluindo Francisco Fernandes de Figueiredo. Os descendentes deste irmão do padre Manuel formam todo um novo ramo familiar.
Francisco casou-se em abril de 1755 com Maria Lourença, de quem teve uma filha, igualmente chamada Maria Lourença.
Maria Lourença, por seu turno, casou-se em 1782, em Silgueiros, Viseu, com Luís de Figueiredo.
Os dois elementos deste casal são, na verdade, os sextos avós de João Cotrim de Figueiredo, antigo líder da Iniciativa Liberal e adversário de Gouveia e Melo nas presidenciais.
Foi, aliás, do seu sexto avô Luís que o liberal recebeu o apelido Figueiredo — transmitido ao longo de cinco gerações sempre por via paterna.
Mas a bisavó Gracinda de Henrique Gouveia e Melo ainda nos permite chegar a outra relação familiar.
Subindo pela árvore familiar de Gracinda, chegamos a outros ascendentes nascidos no século XVII: Manuel Pais, conhecido por “o Panage”, e Eufémia Francisca, sétimos avós do almirante.
A partir destes antepassados é possível ligar uma segunda vez Henrique Gouveia e Melo e o seu adversário André Ventura — desta vez pela via paterna do líder do Chega.
A árvore genealógica de Henrique Gouveia e Melo traçada pela Associação Portuguesa de Genealogia mostra exatamente 100 ascendentes do almirante, que agora se candidata à Presidência da República.
Nessa lista, encontramos um general e pioneiro do Espiritismo, um italiano que viajou de Génova até à ilha da Madeira e se tornou tesoureiro da alfândega do Funchal, um violinista que liderou a orquestra do Teatro D. Maria II e antepassados que revelam primos célebres como Cristiano Ronaldo e os seus adversários João Cotrim de Figueiredo e André Ventura.
A ligação a estes primos surpreendeu o próprio Gouveia e Melo — sobretudo, a relação familiar com o líder do Chega, que se faz por duas vias distintas. Em 2026, haverá uma segunda volta entre primos? Gouveia e Melo não arrisca previsões. “Se for esse o desejo dos portugueses.”