2025 foi um ano difícil para a Seleção Nacional. Depois de chegar pela primeira vez a um Campeonato do Mundo em 2023 e de subir de divisão na Liga das Nações em 2024 devido à prestação na qualificação para o Campeonato da Europa, Portugal voltou a não passar da fase de grupos de uma grande competição no Europeu e ao longo dos últimos meses somou derrotas claras contra Espanha, Inglaterra ou Bélgica que pareciam já não ser uma realidade atual.
Com o ano a aproximar-se do fim, parece cada vez mais claro que a Seleção Nacional está a começar um natural processo de renovação. Se é certo que Francisco Neto ficou, mesmo com a saída de Fernando Gomes (e Mónica Jorge) e a chegada de Pedro Proença, também é certo que as convocatórias têm albergado uma clara transição de geração entre jogadoras mais experientes e outras mais jovens, obrigando a uma mistura entre o passado que ainda é presente e o presente que já é futuro.
Era neste contexto que, esta terça-feira, Portugal defrontava o Brasil num particular que era também o último encontro de 2025. Depois da dupla jornada nos EUA, que incluiu uma histórica vitória contra as norte-americanas e uma mais expectável derrota, a equipa de Francisco Neto perdeu com os Países Baixos em Braga, na sexta-feira, e procurava terminar o ano com uma boa notícia.
“É na adversidade que se cresce. É precisamente isso a que nos propomos diariamente e foi isso que fizemos com estes jogos, acreditando sempre no talento e na coragem deste grupo de trabalho, com jogadoras que nos passam essa mensagem, que se sentem confortáveis no desconforto, e que percebem que assim têm mais possibilidades de melhorar para estar daqui a um ano a festejar o apuramento para o Mundial”, disse o selecionador nacional, que já não podia contar com Kika Nazareth, já que a avançada do Barcelona sofreu uma entorse contra as neerlandesas e vai estar de fora durante algumas semanas.
Assim, no Estádio Municipal de Aveiro, Francisco Neto fazia várias alterações face ao jogo contra os Países Baixos e lançava Jéssica Silva e Carolina Santiago no ataque, com Tatiana Pinto a ser a única que mantinha a titularidade no meio-campo. Do outro lado, num Brasil que conquistou a Copa América este ano mas que vinha de uma derrota contra a Noruega, Arthur Elias mudava praticamente toda a equipa que defrontou a Noruega e só repetia Tarciane, central do Lyon.
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Portugal começou o jogo praticamente a perder. Logo nos instantes iniciais, Dudinha apareceu na direita e cruzou para a área, onde Gabi Zanotti só teve de cabecear sem qualquer tipo de oposição (2′). O Brasil dominou a primeira parte em larga escala, sem que a Seleção Nacional conseguisse construir ataques ou sequer passar da linha do meio-campo com a bola controlada, e foi só uma questão de tempo até chegarem mais golos.
Ludmila aumentou a vantagem também a partir da direita (17′), num lance em que Inês Pereira fica muito mal na fotografia, e Dudinha fez o terceiro golo ao finalizar na sequência de uma assistência de Ludmila (37′) — novamente com origem no corredor direito, onde as brasileiras iam fazendo o que queriam do espaço que tanto Diana Gomes como Catarina Amado deixavam nas costas. Ao intervalo, o Brasil estava a vencer Portugal de forma clara.
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Resultado que não queremos, mas vamos lutar para revertê-lo! #FazHistória | #Navegadoras pic.twitter.com/SdmQcpHg0a
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Francisco Neto mexeu logo ao intervalo e trocou Carolina Santiago por Ana Capeta, com Portugal a entrar na segunda parte mais preocupado com a organização defensiva, mantendo as linhas mais próximas e recuadas, do que propriamente com a capacidade de sair rapidamente para o ataque. Nesse sentido, o jogo foi caindo numa toada mais adormecida, com as brasileiras a gerirem a vantagem com muita tranquilidade e as portuguesas sem conseguirem sequer chegar com perigo à baliza contrária.
Arthur Elias fez as primeiras substituições à passagem da hora de jogo, lançando Vitória Yaya e Ary Borges, e a Seleção construiu o primeiro lance em que poderia ter marcado com Ana Capeta a falhar a finalização por centímetros depois de um cruzamento na direita (67′). Francisco Neto voltou a mexer nesta fase, lançando Beatriz Fonseca, e as brasileiras carimbaram a goleada por intermédio de Belinha, que se estreou a marcar pela canarinha de cabeça, após um canto na esquerda e segundos depois de entrar em campo (74′).
Raquel Ferreira e Inês Meninas ainda realizaram a primeira internacionalização e Bia Zaneratto fechou as contas da goleada através de uma grande penalidade (90′). Portugal perdeu com o Brasil em Aveiro, despedindo-se de 2025 com três derrotas consecutivas, acumulando as sofridas contra EUA e Países Baixos, num derradeiro registo que acaba por ser um espelho do ano complexo da seleção feminina portuguesa.