Segundo avança o “The Guardian”, Anthony Loke confirmou que as buscas seriam retomadas no final deste mês, afirmando que a empresa norte-americana de robótica Ocean Infinity vai retomar a procura durante 55 dias, de forma intermitente, “numa área específica avaliada como tendo a maior probabilidade de localizar a aeronave”.
No ano passado, o Governo da Malásia afirmou estar disposto a abrir uma nova investigação caso surgissem novas informações sobre o desaparecimento do avião e chegou a acordo com a Ocean Infinity. Segundo o ministro dos Transportes, o Executivo apenas vai pagar à empresa norte-americana os 70 milhões de dólares (cerca de 60 milhões de euros) acordados se esta encontrar o avião.
À AFP, o ministro dos Transportes revela que esta decisão está relacionada com a estação do ano, “que é favorável”. As buscas já tinham sido suspensas em abril devido às mudanças climáticas.
Em comunicado, o Kuala Lumpur também confirmou que “as buscas em águas profundas pelos destroços desaparecidos do voo MH370 da Malaysia Airlines serão retomadas a 30 de dezembro de 2025”.
O mistério do MH370
O Boeing 777 com 239 pessoas desapareceu dos radares cerca de 40 minutos após descolar, durante um voo de rotina de Kuala Lumpur para Pequim, e tornou-se um dos maiores mistérios da aviação. A bordo encontravam-se 153 chineses, 50 malaios (12 dos quais faziam parte da tripulação), sete indonésios, seis australianos, cinco indianos, quatro franceses, três americanos, dois neozelandeses, dois ucranianos, dois canadianos, dois iranianos, um russo, um holandês e um taiwanês.
Um relatório final sobre o caso, com quase 500 páginas, divulgado em 2018, apontou falhas no controlo do tráfego aéreo e afirmou que a rota do avião foi alterada manualmente. De acordo com os investigadores, ainda não tinha sido descoberta a razão do desaparecimento, mas não foi descartada a hipótese de um dos pilotos ter desviado a aeronave.
Os familiares e amigos dos passageiros desaparecidos continuam a pedir respostas ao Governo. Num protesto em março deste ano, juntaram-se vários manifestantes à porta dos escritórios do Executivo chinês e da Embaixada da Malásia na China a pedir para lhes serem “devolvidos os entes queridos”. Alguns seguravam cartazes com a pergunta: “Quando terminarão estes onze anos de espera e tormento?”
Jiang Hui, cuja mãe estava no avião, afirmou agora que foi anunciada a retoma das buscas que a sua família “se congratula com a continuação das buscas pelo governo malaio e pela Ocean Infinity”.
Danica Weeks, mulher de Paul, um cidadão australiano que estava a bordo do avião, recebeu com satisfação a notícia das novas buscas, admitindo que estava “incrivelmente grata e aliviada pelo facto de o governo da Malásia ter se comprometido a continuar”.
“Nunca deixámos de querer respostas, e saber que as buscas vão continuar traz-nos uma sensação de conforto. Espero sinceramente que esta próxima fase nos traga a clareza e a paz que tanto ansiamos, para nós e para os nossos entes queridos, desde 8 de março de 2014”, acrescentou Weeks.
O Ministério da Malásia afirmou que estas novas buscas reforçam o seu compromisso em “proporcionar encerramento às famílias afetadas pela tragédia”.