Uma mulher conseguiu levar esta quarta-feira do hospital de Gaia a filha de quatro meses que lhe tinha sido retirada pelo tribunal e colocada à guarda de uma instituição, por falta de condições da habitação abarracada onde mora.
A progenitora já terá visto as autoridades retirarem-lhe outro filho pelos mesmos motivos, estando neste momento a ser procurada pelas autoridades por rapto. Avançado pelo Correio da Manhã e pelo Jornal de Notícias, o caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária.
Apesar de ser aplicada uma pulseira aos bebés que dão entrada no Hospital de Gaia, a mãe e a avó da criança, que a visitavam diariamente, conseguiram retirar o equipamento sem o danificar. “Se for cortada ou destruída, a pulseira acciona um alarme”, explica o porta-voz da unidade de saúde, Evandro Saraiva. E tranca as portas deste serviço em caso de saída não autorizada.
Internada entre 21 e 26 de Novembro por motivos de saúde, a criança acabou por ficar mais tempo no hospital, para que o Tribunal de Família e Menores decidisse o que fazer. O veredicto chegou esta quarta-feira: seria retirada à progenitora e entregue a uma instituição. Mas quando a assistente social do hospital chegou ao quarto da bebé já só encontrou a pulseira junto ao caixote do lixo da casa de banho do quarto, intacta. Já não havia sinal da mãe nem da avó.
“A pulseira deve ter vindo a ser alargada ao longo destes dias, para poder ser retirada à criança sem accionar os alarmes”, equaciona o mesmo porta-voz.
Aos jornalistas, o presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde Gaia-Espinho, Luís Cruz Matos, disse que dentro de pouco mais de uma semana o inquérito interno que foi aberto para averiguar o que se passou deverá ter conclusões. “Isto não pode voltar a acontecer”, observou, assegurando que o sistema de segurança já foi testado e está a funcionar com normalidade. As imagens de videovigilância do hospital irão agora ser fornecidas às autoridades.
“Que eu tenha conhecimento é a primeira vez que acontece neste hospital”, referiu também o mesmo responsável. “Não tínhamos noção do risco de um desfecho deste género.” Tudo se passou na mudança de turnos dos enfermeiros, num serviço de pediatria que conta com mais de 20 camas, tendo o rapto sido efectuado, segundo Cruz Matos, com grande rapidez. Às 14h45 a bebé ainda se encontrava no hospital, mas 15 minutos depois já tinha sido levada.