José Mourinho garante que não tem dúvidas sobre o que vai fazer e quem vai escolher, Rui Borges diz que ainda vai conversar com a almofada. Terá Mourinho tantas certezas assim? E Borges ainda precisa de dormir sobre o assunto? São, na verdade, duas formas diferentes de ambos os treinadores dizerem que o melhor é esperar para ver o que irão apresentar no Benfica-Sporting desta sexta-feira (20h15, BTV) que abre a 13.ª jornada da I Liga. O que parece evidente é que os “leões” têm mais certezas no que estão a fazer, enquanto Mourinho ainda não conseguiu fixar-se num plano que seja eficaz em todas as circunstâncias.

Ambas as evidências são uma consequência natural do histórico recente das duas equipas. Borges chegou ao Sporting no meio da época passada, foi campeão e, depois disso, consolidou as suas próprias ideias em cima das de Ruben Amorim e os “leões” têm sido a imagem da tranquilidade desde a última derrota que sofreram, no início de Outubro, em Nápoles – em dez jogos, oito vitórias e dois empates. Há um plano táctico e estratégico consolidado e o único problema de Rui Borges é o da abundância: joga Simões ou Morita? Catamo ou Pedro Gonçalves? Quaresma ou Diomande?

No Benfica, Mourinho não teve o luxo do tempo para consolidar a sua visão, nem o luxo de escolher o que precisava. Chegou no final de Setembro para substituir Bruno Lage e a sua primeira missão, mais do que meter a equipa a jogar “futebol-champanhe” e antes de pensar em remodelações de plantel, foi ter resultados. Em 15 jogos, nove vitórias, três empates (todos no campeonato) e três derrotas (todas na Champions), mas a melhor notícia para o “Special One” é que chega a este derby nas costas de uma boa sequência, três vitórias consecutivas.

Ainda assim, não é claro o que Mourinho vai fazer neste seu segundo derby como treinador do Benfica – o primeiro foi há 25 anos e deu uma vitória “encarnada” por 3-0. Se na baliza (Trubin) e no quarteto defensivo (Dedic, Otamendi, Silva e Dahl) não parece haver grandes dúvidas, nem em quem será a principal referência ofensiva (Pavlidis), resta saber quem serão os restantes quatro e em que posições. Não havendo Lukebakio, haverá espaço no “onze” para Prestianni e/ou Schjelderup? Onde joga Aursnes? Barreiro será uma espécie de segundo avançado? Rios fará companhia a Barrenechea? Mantém-se a aposta em Rodrigo Rêgo?

E o Sporting, que sofreu duas das suas três derrotas da época frente a FC Porto (na Liga) e Benfica (Supertaça)? Será mais cauteloso do que é habitual? Como o seu 4x2x3x1 está mais do que consolidado, tudo indica que não. Mas será diferente ter Pedro Gonçalves, um jogador diferenciado mas menos dado a corridas, ou Geny Catamo, um velocista com tendência especial para marcar golos decisivos ao Benfica. Assim como é relevante saber quem faz companhia a Hjulmand no meio-campo, se Simões, se Morita, que regressou em grande nível na jornada anterior.

Este é um derby em que ninguém pode jogar para o empate, porque nenhum deles está na frente. E é o empate que beneficiaria mais o líder FC Porto – que tem nesta jornada uma deslocação a Tondela – em relação aos seus adversários directos. O Sporting está a três pontos do “dragão”, o Benfica já está a seis. Um empate seria igual a uma derrota. Rui Borges não concorda com esta ideia. “O derby não vai ditar nada do que será o desfecho do campeonato”, frisou o técnico sportinguista na antecipação do jogo. Mourinho, por seu lado, não perde o sono com este jogo: “É difícil que aconteça alguma coisa que não me tenha acontecido na carreira.”