Ao todo, foram identificadas 322 vítimas, das quais 294 não tinham documentação válida para residir ou trabalhar no país. Os trabalhadores entravam no espaço Schengen com vistos de turista e eram posteriormente transportados para explorações agrícolas em várias províncias na região central de Espanha.
Segundo a responsável do Governo em Castela-La Mancha, Milagros Tolón, os trabalhadores eram alojados em espaços improvisados e clandestinos, “verdadeiros esconderijos”, onde dormiam em quartos abafados, em colchões espalhados pelo chão e sem luz natural – condições que classificou, segundo o jornal “El País”, como “totalmente indignas e desumanas”.
#OperacionesGC | Desarticulada una organización criminal internacional que introducía migrantes de manera irregular y empleaba laboralmente.
La operación policial ha sido realizada conjuntamente por Guardia Civil y @policia con el apoyo de la Inspección de Trabajo y Seguridad… pic.twitter.com/Vidwbj0Tml
– Guardia Civil (@guardiacivil) December 4, 2025
Exploração e falta de pagamento
As autoridades divulgaram imagens que mostram dezenas de trabalhadores sentados lado a lado em colchões num espaço escuro e sobrelotado. Sabe-se também que muitos não recebiam qualquer remuneração durante meses e tinham acesso apenas a refeições básicas.
A Polícia indicou ainda que as vítimas eram transportadas diariamente em carrinhas que não cumpriam as normas de segurança, tendo um cidadão nepalês morrido num acidente rodoviário durante uma destas deslocações.
Prisão preventiva para seis suspeitos
Dos 11 detidos, seis ficaram em prisão preventiva sem fiança por decisão do tribunal e outros dois estão a ser investigados. Os suspeitos enfrentam acusações de favorecimento da imigração ilegal e tráfico ilícito de mão de obra.
“Esta é uma operação de enorme alcance, que demonstra a capacidade e o compromisso das forças de segurança na luta contra a exploração laboral”, destacou Milagros Tolón. A responsável garantiu ainda que a proteção dos direitos humanos “é uma prioridade para o Governo de Espanha” e que serão reforçados os esforços para impedir que “qualquer pessoa seja explorada no país”.