NASA

A astronauta norte-americana Anne McClain
Em 2019, Summer Heather Worden acusou a ex-mulher, a astronauta Anne McClain, de ter entrado na sua conta bancária sem autorização. Agora, confessou que estava a mentir.
A batalha judicial de anos entre uma ex-oficial dos serviços de informação da Força Aérea e a sua ex-mulher, uma astronauta da NASA, chegou a um ponto crucial no mês passado, quando Summer Heather Worden, de 50 anos, se declarou culpada de mentir aos investigadores federais.
Worden acusou falsamente a astronauta Anne McClain de aceder ilegalmente à sua conta bancária a partir da Estação Espacial Internacional (ISS), naquele que ficou amplamente conhecido como o primeiro alegado crime cometido no Espaço.
Worden enfrenta agora até cinco anos de prisão e uma multa de até 250 mil dólares, depois de admitir que enganou as autoridades sobre as circunstâncias que envolviam as contas financeiras conjuntas do casal.
O caso remonta a 2019, quando Worden alegou que McClain tinha usado a sua palavra-passe para aceder à sua conta bancária pessoal enquanto estava a bordo da ISS.
A acusação desencadeou investigações tanto do Gabinete do Inspetor-Geral da NASA como da Comissão Federal de Comércio (FTC). Na altura, McClain era uma estrela em ascensão no corpo de astronautas, tendo sido lançada para a ISS em dezembro de 2018 para uma missão de seis meses.
A alegação central de Worden era a de que McClain acedeu à conta sem o seu consentimento. No entanto, os investigadores determinaram posteriormente que Worden tinha concedido acesso a McClain anos antes, como parte da gestão financeira conjunta entre ambas. Os procuradores afirmaram que Worden mentiu sobre quando criou a conta e quando alterou os dados de login, factos cruciais que minaram a credibilidade das suas acusações.
A acusação, tornada pública em abril de 2020, imputava a Worden o crime de prestar declarações falsas a autoridades federais. Com a sua confissão de culpa, admitiu ter inventado partes da história que deram origem ao que se tornou um espetáculo mediático internacional, refere o New York Times.
McClain, coronel condecorada do Exército dos EUA e graduada de West Point, sempre sustentou que agiu com total autorização.
Num comunicado em resposta à confissão da ex-mulher, afirmou que Worden “intencionalmente, e com pleno conhecimento da verdade, apresentou uma história aos investigadores federais e aos meios de comunicação social com a intenção de causar danos”.
“Desde o início, não havia provas que corroborassem as suas alegações, e havia provas esmagadoras que as refutavam”, acrescentou McClain.
McClain, uma aviadora experiente com mais de 2000 horas de voo, regressou ao Espaço em março de 2025 como comandante da missão Crew-10 da SpaceX, da NASA, concluindo a missão em agosto.
Worden tem o julgamento marcado para 12 de fevereiro de 2026.