Chamada para a polícia

As autoridades norte-americanas divulgaram amplamente imagens do suspeito de ter disparado contra o executivo da UnitedHealthcare, Brian Thompson, durante uma busca que durou dias. O gerente de um McDonald’s em Altoona ligou para o 911 (número de emergência nos EUA) depois de clientes terem afirmado que um homem com essa descrição esteve no restaurante na manhã de 9 de dezembro de 2024, cinco dias após o assassinato. “Tenho um cliente aqui que alguns outros clientes suspeitaram, pois parece o atirador do CEO de Nova Iorque”, diz o gerente da loja na chamada que foi reproduzida no tribunal de Manhattan.

Mangione no McDonald’s

Minutos depois, dois agentes chegaram à filial. Imagens da “bodycam” mostram Mangione a usar uma máscara cirúrgica azul e um gorro bege, cercado por comida de fast food. Os polícias dizem-lhe que é suspeito porque está a vaguear pelo local há muito tempo.

Um dos agentes, Joseph Detwiler, diz a um superior que tem “100% de certeza” de que o homem é o suspeito do tiroteio em Nova York e que Mangione está “extremamente nervoso”. “Eu soube imediatamente que era ele”, disse Detwiler ao tribunal, que teve acesso a uma série de novas provas, incluindo imagens do tiroteio e a suposta lista de tarefas de Mangione. Além disso, afirmou que era suspeito Mangione usar uma máscara cirúrgica, já que “nós não usamos máscaras, nós temos anticorpos”.

Nas imagens, os polícias pedem a identidade de Mangione, que apresenta uma carta de condução de Nova Jérsia em nome de Mark Rosario, que se revelou falsa. “É óbvio que não deveria ter usado a identidade falsa”, disse Mangione aos agentes no restaurante.

Enquanto verificavam a fotografia do documento, tentaram interrogá-lo, mesmo depois de Mangione indicar que não queria responder a mais perguntas.

Detenção de Mangione

Imagens mostram que mais polícias continuaram a chegar ao restaurante. “Não sei o que vocês estão a aprontar. Vou só esperar”, referiu, enquanto continua a comer.

Após quase uma hora, um supervisor da polícia finalmente decide deter Mangione.

Balas na mochila

As imagens mostram a polícia Christy Wasser a revistar a mochila de Mangione, onde encontra um carregador de munição. “Eu aproximei-me e peguei a mochila dele, estava pesada”, disse Wasser ao tribunal enquanto Mangione olhava para baixo, ladeado pelos advogados.

Após Mangione ser detido, Wasser coloca luvas de látex azuis e é vista a revistar os pertences do suspeito, procurando uma bomba na mochila. Depois, Wasser retira uma peça íntima cinzenta molhada da mochila de Mangione. “Quando abri, era um carregador”, que estava completamente carregado, disse ao tribunal.

Na esquadra, foram encontradas uma arma e um silenciador na mochila, juntamente com o que os procuradores descreveram como um manifesto sobre a indústria de seguros dos EUA.

Revista íntima “minuciosa”

Os polícias disseram ao tribunal que submeteram Mangione a uma revista íntima “minuciosa”. Também perguntaram se era casado, se tinha todos os dentes e se podia fornecer um contacto familiar para emergências. Fizeram um levantamento dos seus pertences, que incluíam um pote de manteiga de amendoim Skippy, uma pen presa a um colar e uma lista de tarefas.

Ainda não há data marcada para o julgamento de Mangione no estado de Nova Iorque. O suspeito arrisca uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Além disso, enfrenta uma acusação separada em âmbito federal que prevê pena de morte.