Questão territorial continua, como desde o início, a ser o ponto mais quente para se chegar a um acordo
O Donbass é mesmo para esquecer e a NATO nem pensar, mas os Estados Unidos querem que a Ucrânia saiba que há outras exigências que podem sair a voar se um acordo não for alcançado rapidamente.
Após um encontro que durou dois dias em Berlim, onde se discutiu uma forma de chegar à paz, os enviados de Donald Trump foram claros com a delegação ucraniana: tem de aceitar deixar o que ainda resta do Donbass para a Rússia.
O mesmo é dizer que Donetsk, para lá de Lugansk, passarão a ser integralmente russos, como Vladimir Putin pretende já desde 2014, altura em que forças separatistas lançaram uma guerra que ainda não parou naqueles territórios.
De acordo com a agência Reuters, esta vista pelos Estados Unidos como uma necessidade, já que se trata de uma prioridade máxima da Rússia, que defende a necessidade de proteger os russófonos naquela zona.
A mesma fonte indicou que Kiev pediu novas negociações, até porque ainda há grandes distâncias entre os dois lados, sendo que a questão territorial continua a ser o problema de fundo.
Mas este não foi o único aviso que o presidente da Ucrânia ouviu dos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
A Ucrânia deve também ter em conta que algumas das propostas dos Estados Unidos podem não durar para sempre. Foi esse o tom da conferência de imprensa desta segunda-feira, em que os responsáveis norte-americanos lembraram que as propostas em cima da mesa incluem garantias semelhantes às do artigo 5.º da NATO. A adesão à Aliança Atlântica, essa, parece estar completamente fora de questão.
Mas, nesta mesma conferência de imprensa, os norte-americanos fizeram saber que mesmo esta proposta pode não estar disponível eternamente. Uma declaração pública de clara pressão à Ucrânia, que se vai tentando escudar na União Europeia para garantir o melhor acordo possível.
E é precisamente sobre a União Europeia que surge uma das poucas boas notícias. Os Estados Unidos sublinharam que a Rússia está aberta a que a Ucrânia entre em negociações para aderir à comunidade, algo que nunca deverá acontecer antes de 2027 e, provavelmente, só mesmo mais tarde.
“Ao longo dos últimos dois dias, as negociações entre Ucrânia e Estados Unidos foram construtivas e produtivas, com verdadeiro progresso a ser atingido”, declarou o secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa, Rustem Umerov.
Esperançosos, os Estados Unidos acreditam que a Rússia pode vir a aceitar o acordo no final, incluindo com as garantias de segurança que a Ucrânia tanto exige.
De momento, e como está, os enviados norte-americanos entendem que estão resolvidos 90% dos assuntos que separam as duas partes.