André Ventura arrancou o debate com um agradecimento por os potenciais eleitores o colocarem, de acordo com as sondagens, como um dos mais prováveis candidatos a Belém a passar para uma segunda volta – ainda que, nesse cenário, seja derrotado por qualquer um dos seus adversários – apesar de ter o discurso que quer ter durante estas eleições.

Tendo em conta esta probabilidade, o líder do Chega lembrou: “Eu vou estar [esta terça-feira, 16 de dezembro] em tribunal, mais uma vez, por causa dos ciganos, por causa das minorias, que não me querem deixar ter o discurso que eu quero ter nas presidenciais.”

O líder do Chega, confrontado com o chumbo que o Tribunal Constitucional deu à lei da nacionalidade esta segunda-feira, 15 de dezembro, garantiu que está na corrida a Belém, “que são duas eleições”, afirmou, referindo-se à primeira e à segunda volta, “para mostrar às pessoas que é preciso mudar o sistema político, que é preciso dar um murro na mesa por tudo o que está a acontecer. E hoje tivemos mais uma prova disto com a lei da nacionalidade”, garantiu.

Nesta fase, André Ventura argumentou que o Presidente da República, apesar de não governar o páis, “é o mais legítimo” para mudar o sistema político, “porque é quem é eleito, diretamente, pelas pessoas“.

“Mas pode influenciar, pode conduzir o país, que é isso que eu quero ser, um condutor do país e liderar o país. Temos de ir por outro caminho e não pelo caminho destes, enfim, destes erros, destes conluios, desta corrupção que temos tido há 50 anos”, justificou.

Questionado sobre se, com este discurso, apenas move o eleitorado do Chega, André Ventura garantiu que o seu “discurso é Portugal”.

“O meu discurso é dar um murro na mesa do sistema. Eu não vou mudar isso a partir do dia 18 de janeiro. Aliás, se as pessoas me estão a colocar em primeiro lugar, é porque querem esse murro na mesa”, disse.

Sobre um cenário numa eventual segunda volta em que perde perante qualquer um dos seus adversários mais prováveis, André Ventura disse apenas que estão todos contra si e que isso revela que está “no caminho certo”.

Confrontado com as sondagens, que o têm colocado em queda, Henrique Gouveia e Melo desvalorizou-as, optando por destacar a única sondagem que conta: a de dia 18 de janeiro.

“Eu estou numa luta partidária, em que todos os partidos têm os seus candidatos“, considerou o almirante, antes de reiterar que a sua preocupação é o futuro de Portugal.

Se os portugueses me escolherem, é isso que eu tentarei fazer. Que é unir verdadeiramente“, garantiu, alertando que esta é uma missão importante, tendo em conta os “tempos verdadeiramente difíceis” que se avizinham.

Para explicar a sua afirmação, Gouveia e Melo referiu “uma situação internacional muito preocupante, verdadeiramente preocupante, com impacto, quer a gente queira, quer não, no sistema nacional. Nós vamos ter também, fruto até da própria distribuição de lugares na Assembleia da República, um sistema político que tem o fruto da instabilidade dentro do próprio sistema”, argumentou.

Com o objetivo de desmontar a tese do almirante sobre a posição que diz ter face aos partidos, André Ventura obsevrou que Henrique Gouveia e Melo, durante esta campanha, “primeiro, juntou quase toda a estrutura do Partido Socialista, tanto que até discutem, entre o candidato e o secretário-geral do Partido Socialista, quem é que é o candidato do Partido Socialista. De tal forma que o líder do Partido Socialista tem de dizer que não é Gouveia e Melo, é António José Seguro. Veja-se ao ponto que se chegou“, rematou.

Para sustentar a argumentação, o líder do Chega lembrou que Gouveia e Melo “pode tentar agora esconder isso, mas disse mesmo que Mário Soares era a sua referência de Presidente da República”. 

A minha é o general Ramalho Eanes“, lançou.

“Acho que para o candidato Gouveia e Melo dizer que o Mário Soares é uma referência de Presidente é uma traição às Forças Armadas, aos retornados, às pessoas que deixaram as ex-colonias entregues, como nós sabemos”, acusou.

Gouveia e Melo acabou por justificar que ambos os antigos presidentes “são referências do início da nossa democracia” e que “sem eles nós não teríamos esta democracia”. 

E sem eles, se calhar, teríamos um regime comunista, de extrema-esquerda, e se calhar o doutor André Ventura não poderia estar aqui“, rematou o almirante, antes de lembrar que ele próprio foi retornado, além de ter integrado as Forças Armadas.