A partir do texto de Stevenson, que mistura autobiografia, reflexão e fábula moral, “este conto fantasioso e musical” — reza o mesmo comunicado — “mergulha no universo lúdico e inventivo de João Nicolau, entre poesia, aventura e humor.” O filme é interpretado por Pedro Inês, Clara Riedenstein, Salvador Sobral, Isac Graça, Jenna Thiam, Américo Silva, Beatriz Brás, Leonardo Garibaldi, João Pereira, José Raposo e pelo jurista e ex-gestor cultural Miguel Lobo Antunes, que assim regressa ao universo do cineasta após o seu generoso e divertido papel em Technoboss, de 2019.
Já Vanja Kaludjercic, que anunciou com entusiasmo a eleição de A Providência e a Guitarra para filme de abertura, sublinhou que o filme assinala também a estreia como actor de Salvador Sobral, “o vencedor da Eurovisão em 2017 e um dos mais acarinhados músicos portugueses.”
Além das duas longas citadas, haverá mais cinema português nos Países Baixos, no campo das curtas-metragens ou resultante de co-produções internacionais. O, de Francisca Alarcão e Computadora, de Alice dos Reis, são curtas programadas em estreia mundial na secção Short & Mid-length. Em estreia internacional, será exibido Rui Carlos, curta de Margarida Praias estreada no Curtas – Vila do Conde. Domestic Demon, de Anahid Yahjian (Tiger Shorts) e Statues Also Die?, da documentarista brasileira Thais Fernandes (Short & Mid-length), são co-produções que envolvem Portugal, assim como a longa Lone Samurai (secção Harbour), de Josh C. Waller.
Antes da apresentação da Competição Tiger, a mais célebre do festival (dedicada a primeiras e segundas obras), e que exibirá em 2026 uma obra angolana — Meu Semba, de Hugo Salvaterra — e uma moçambicana — O Profeta, de Ique Langa —, Roterdão anunciou que dedicará uma retrospectiva completa, a primeira no ocidente, da obra do egípcio Marwan Hamed. Nome importante da nova leva de autores daquela cinematografia, Hamed estreou há pouco El Sett, drama biográfico sobre Umm Kulthum (1898-1975), lendária cantora e uma das vozes mais populares de todo o mundo árabe. El Sett tornou-se há dias no filme mais rendível da história do cinema egípcio.
O outro foco de Roterdão 2026 será o “V-Cinema”, fenómeno do cinema nipónico que, no final dos anos 1980, originou uma série de obras ara exibição directa nos mercados de vídeo e raramente vistas fora do Japão. O filme de encerramento de Roterdão será francês com uma comédia policial, Bazaar, de Rémi Bezançon, com Laetitia Casta, Guillaume Gallienne e Gilles Lellouche.
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia