De destino de sonho a uma cidade em ruínas e edifícios abandonados. Durante vários anos, Perlora, na comunidade autónoma das Astúrias, em Espanha, foi cenário de férias e era mesmo apontado como um dos mais procurados no país. Havia hotéis, parques de campismo, capelas e praias quase intocáveis ​​por todo o lado. Mas tudo foi deixado para trás.

Desde 2006 que os 274 edifícios que compõem a região estão devolutos, segundo o jornal “Asturias con Encanto.” Todos foram originalmente concebidos para receber milhares de veraneantes e foi isso que fizeram ao longo de várias décadas.

A cidade, que se estende por 20 hectares, começou a ser construída durante a ditadura franquista, em 1952, por iniciativa do Sindicato do Trabalho para a Educação e Lazer. A organização do regime promovia a construção de estâncias de férias em diferentes pontos de Espanha.

A primeira foi Jacobo Campuzano, um hotel com 90 quartos que abriu a 1 de julho de 1954. Nessa altura, o sucesso foi tanto que a organização teve de investir em mais unidades e, dois anos depois, arrancou a comercialização da primeira fase de vivendas, que viria a ser a Cidade Residencial Perlora, também conhecida como “cidade de férias.”

Nos anos 60, a zona continuou a desenvolver-se. Começaram a surgir apartamentos, residências privadas de diferentes dimensões e estilos, e mais espaços dedicados ao turismo.

O complexo apostou também escritórios, bares, lojas, restaurantes, uma capela, um teatro ao ar livre, uma biblioteca, um parque infantil, campos desportivos e espaços verdes.

A região.

No seu auge, Perlora chegou a empregar cerca de 200 pessoas e a receber, anualmente, mais de dois mil visitantes. Im dos pontos altos eram as praias paradisíacas que rodeavam o complexo turístico, como as de Huelgues, Carranques e Madrebona.

Tudo começou a mudar nos anos 70, após a transição para a democracia. Mais tarde, em 1982, a gestão do complexo foi transferida do Estado para o Governo do Principado das Astúrias — foi o princípio do fim.

A falta de investimento e as dificuldades em adaptar as infraestruturas às novas exigências do governo fez com que, aos poucos, Perlora se fosse deteriorando. Para tentar evitar o declínio, chegou a surgir a ideia de privatizar a gestão da cidade, o que acabou por não acontecer.

Em 2005, o hotel Jacobo Campuzano foi demolido e no ano seguinte, os alojamentos foram encerrados. Hoje, a cidade continua a ser visitada, mas há pouco para fazer: os visitantes aproveitam para passear pelas ruas e jardins vazios e ir a algumas das praias, que continuam a atrair dezenas de pessoas no verão.

Em agosto deste ano, o Governo do Principado das Astúrias revelou planos para o restauro da zona e preservação da paisagem original. O documento prevê ainda limitar a edificação do recinto em 20 por cento em relação ao planeamento anterior, para evitar a sobre-exploração do ambiente.

Entre os edifícios que deverão ser conservados, está a capela, o bar La Cabaña e o Villa Homes. A previsão é que o documento urbanístico seja aprovado no próximo ano, para os trabalhos arrancarem. 

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