O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo diz esperar que a administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não cometa um erro fatal em relação à Venezuela. Moscovo está preocupada com decisões dos EUA que ameaçavam a navegação internacional.
“Esperamos que a administração de Donald Trump, que se caracteriza por uma abordagem racional e pragmática, não cometa um erro fatal”, afirmou o ministério numa declaração publicada esta quinta-feira, 18 de Dezembro.
O ramo do Governo russo diz ainda ter a esperança de que os Estados Unidos não se envolvam numa situação que teria “consequências imprevisíveis para todo o Hemisfério Ocidental”.
Donald Trump falou ao mundo na madrugada desta quinta-feira, temendo-se uma declaração de guerra contra a Venezuela. Esse cenário foi avançado pelo conservador Tucker Carlson horas antes no podcast de Andrew Napolitano, citando supostas fontes do Congresso.
A previsão, apesar de citada pela imprensa estrangeira, teve pouco eco nos jornais norte-americanos, e a Casa Branca tinha indicado esta noite que Trump falaria apenas dos seus primeiros 11 meses de mandato e de algumas promessas para o arranque de 2026.
A especulação assentava na rápida escalada de tensão dos últimos dias. Na terça-feira, Nicolás Maduro ordenou à Marinha venezuelana a escolta dos navios petroleiros saídos dos portos do país em direcção aos seus principais mercados, com a China à cabeça. Na madrugada de terça para quarta, e segundo o New York Times, um primeiro grupo de petroleiros saídos de Porto José rumo à Ásia começou a ser acompanhado pelas forças venezuelanas. Nenhuma das embarcações em causa pertencerá ao conjunto de petroleiros alvo de sanções norte-americanas.
A ordem de Maduro respondia a outra, por parte de Trump, proferida no mesmo dia, de um bloqueio naval à Venezuela, e acontece uma semana depois de as forças norte-americanas terem abordado e arrestado um petroleiro venezuelano, numa acção que Caracas qualificou de “pirataria internacional”.