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Um novo estudo descobriu que os doentes que tiveram ataques cardíacos durante o dia apresentavam contagens mais elevadas de neutrófilos e maiores danos cardíacos, sugerindo que as próprias células imunitárias poderiam desempenhar um papel no agravamento da lesão.

Durante décadas, os cardiologistas observaram que os ataques cardíacos causam mais danos quando ocorrem durante o dia do que quando acontecem à noite.

Existem muitas teorias sobre o motivo pelo qual os ataques cardíacos diurnos são mais prejudiciais. Algumas apontam para flutuações diárias nas hormonas do stress e na pressão arterial como possíveis culpados. No entanto, o papel do sistema imunitário tem permanecido menos claro.

Investigações anteriores mostraram que células imunitárias chamadas neutrófilos, que atuam como primeiros intervenientes em caso de lesão, causam mais inflamação e danos colaterais nos tecidos nos locais lesionados durante o dia. À noite, são relativamente mais calmas.

Num novo estudo, publicado na semana passada no Journal of Experimental Medicine, os cientistas conseguiram ligar os pontos entre os ataques cardíacos diurnos e neutrófilos agressivos.

Como detalha a Live Science, ao analisar registos clínicos de mais de 2.000 pessoas que tinham tido ataques cardíacos, a equipa descobriu que os doentes admitidos durante o dia apresentavam contagens mais elevadas de neutrófilos e maiores danos cardíacos, sugerindo que os próprios neutrófilos poderiam desempenhar um papel no agravamento da lesão.

O mesmo padrão foi depois confirmado em experiências com ratos.

Os investigadores dividiram os ratos de laboratório em dois grupos: um com níveis normais de neutrófilos e outro cujos níveis de neutrófilos foram reduzidos através de um tratamento com anticorpos. Em seguida, induziram ataques cardíacos nos ratos em diferentes momentos do dia e da noite.

No primeiro conjunto de ratos, observaram um ritmo pronunciado de maior lesão cardíaca de manhã do que à noite, semelhante ao observado nos dados humanos. No entanto, nos ratos com baixas contagens de neutrófilos, esse ritmo desapareceu e os ataques cardíacos causaram, no geral, menos danos.

Depois, os investigadores desativaram geneticamente um gene que ajuda a controlar o relógio circadiano, um regulador dos ciclos de 24 horas no corpo. Como esperavam, o ritmo voltou a desaparecer e os danos cardíacos globais foram reduzidos nestes ratos modificados.

Os investigadores também descobriram um padrão interessante por detrás da ação dos neutrófilos: tanto em feridas na pele como no tecido cardíaco, os neutrófilos diurnos tendem a espalhar-se para áreas vizinhas não lesionadas, ampliando a área da lesão. Os neutrófilos mais calmos da noite, por outro lado, permanecem confinados ao centro da zona danificada – explicou à Live Science, o líder da investigação, Andrés Hidalgo.

Como escreve a mesma revista, as conclusões do estudo sugerem que poderão existir formas de afinar os neutrófilos e reduzir a sua agressividade sem, no entanto, comprometer a sua capacidade de defesa.


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